Rodrigo Stabeli, diretor da Fiocruz, comenta os impactos nos índices de mortes e casos sem a imunização; ouça o ‘Com Ciência’
Ribeirão Preto convive com a falta de doses da vacina contra a Covid-19 desde março, segundo relato de um especialista ouvido pela reportagem. Enquanto isso, a cidade deu início a uma campanha de vacinação contra a dengue. As interrupções no fornecimento do imunizante têm gerado preocupação entre autoridades locais e cidadãos que aguardam reforços.
Interrupção no abastecimento da vacina contra Covid-19
Rodrigo Estábile, especialista consultado pela reportagem, afirmou que a ausência de vacinas nunca é desejável, embora a grande cobertura vacinal alcançada nos últimos anos reduza, por ora, o risco de um surto generalizado. “Ribeirão Preto tem mais de 80% da população com esquema completo”, disse Estábile, lembrando que a vacinação previa queda acentuada em hospitalizações e mortes quando a adesão ultrapassou 60%.
No entanto, a falta atual é julgada relevante sobretudo para quem precisa dos reforços — em especial pacientes imunossuprimidos — e para aqueles que ainda não completaram a proteção. Estábile apontou que o problema de abastecimento decorre do repasse de doses: a distribuição parte do Ministério da Saúde para os governos estaduais, que então encaminham os lotes aos municípios.
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Quem corre mais risco e possíveis causas da escassez
Segundo o especialista, a ausência das doses pode agravar quadros em pessoas vulneráveis que deixaram de tomar o reforço e eventualmente venham a entrar em contato com o vírus. Ele também citou fatores logísticos e sazonais que podem ter contribuído para o descompasso: em períodos de menor procura houve acúmulo e perda de vacinas perecíveis; com a retomada da circulação dos vírus respiratórios, a demanda aumentou e as entregas podem não ter acompanhado.
Estábile afirmou ainda que a falta envolve, principalmente, a vacina bivalente, indicada a partir dos seis anos de idade, enquanto a formulação infantil permanece disponível em postos para crianças menores.
Vacinação contra a gripe e o combate às desinformações
Com a campanha nacional da gripe em andamento e o Dia D programado para amanhã, a prefeitura e especialistas reforçam a importância da imunização. Circulou nas redes sociais a informação falsa de que a vacina da gripe seria feita em tecnologia de RNA, semelhante a algumas vacinas contra a Covid-19, e, por isso, ineficaz — o que foi classificado por Estábile como desinformação.
Ele lembrou que a vacina contra a gripe distribuída pelo País é produzida por instituições como o Instituto Butantan e segue os critérios de segurança e eficácia avaliados pela Anvisa. A experiência histórica mostra redução drástica de mortes por influenza após a introdução das campanhas de vacinação, disse o especialista, que convocou o público-alvo a procurar os postos.
As autoridades municipais alertam para a necessidade de manter esquemas de vacinação atualizados e acompanham o fluxo de entrega das doses junto ao governo estadual e ao Ministério da Saúde. Enquanto isso, os postos seguem orientados a vacinar conforme disponibilidade e a esclarecer moradores sobre os grupos prioritários.