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Falta de chuva afeta abastecimento de cidades da região de Ribeirão Preto

Além dos problemas com água, número de queimadas também segue em alta e somente em Ribeirão, subiu 246%; especialista comenta
Falta de chuva afeta abastecimento
Além dos problemas com água, número de queimadas também segue em alta e somente em Ribeirão, subiu 246%; especialista comenta

Além dos problemas com água, número de queimadas também segue em alta e somente em Ribeirão, subiu 246%; especialista comenta

Desde abril, a região enfrenta uma prolongada estiagem que tem provocado impactos significativos nos reservatórios e aumentado o número de incêndios florestais. Atualmente, Falta de chuva afeta abastecimento de cidades da região de Ribeirão Preto, mais de mil municípios brasileiros vivem sob condições de seca severa ou extrema, com a região de São Carlos e arredores apresentando treze cidades em situação de seca extrema, entre elas Cravinhos, Jardinópolis, Ribeirão Preto e Sertãozinho. As demais cidades da região enfrentam seca severa, refletindo um cenário preocupante de escassez hídrica.

O ano de 2023 registrou recordes de calor e precipitação abaixo da média, fenômenos influenciados pelo El Niño e pelo aquecimento dos oceanos. Embora o fenômeno El Niño tenha terminado, seus efeitos continuam a afetar o regime de chuvas na região, agravando a crise hídrica.

Alterações no regime de chuvas e impactos na disponibilidade hídrica

O pesquisador ambiental da Unesp, Didier Castman, destaca que nos últimos três a quatro anos houve uma intensificação dos efeitos das mudanças climáticas, evidenciada pela redução das chuvas e pela diminuição da disponibilidade hídrica nos rios durante o período de estiagem. Estudos realizados na bacia do rio Pardo indicam uma queda significativa no volume de chuvas nos últimos cinco a seis anos, o que impacta diretamente a disponibilidade de água para consumo e para os ecossistemas locais.

Em Ribeirão Preto, a dependência do Aquífero Guarani é quase total para o abastecimento público. A exploração intensa desde a década de 1950 causou um rebaixamento do nível das águas subterrâneas, especialmente na região urbana, devido à concentração de poços. Castman ressalta que a água subterrânea não é um recurso infinito e que a construção de poços em áreas distantes dos centros urbanos poderia ajudar a evitar o rebaixamento local.

Alternativas para o uso sustentável da água: Uma das alternativas adotadas em Ribeirão Preto é o uso de água de reuso, principalmente para atividades industriais e irrigação, o que contribui para a conservação da água potável destinada ao consumo humano. No entanto, a infraestrutura para distribuição dessa água ainda é limitada em muitas cidades brasileiras.

O pesquisador enfatiza que a água deve ser utilizada conforme sua qualidade, destinando as águas de reuso para usos menos nobres e preservando a água potável para o abastecimento público. Além disso, ele recomenda a implementação de sistemas de captação de água da chuva em edificações, que podem ser usados para fins como descarga de sanitários, reduzindo a demanda sobre os sistemas públicos.

Impactos da conversão do uso do solo e necessidade de planejamento

A conversão de áreas de floresta para monocultura e agricultura tem agravado a crise hídrica, pois reduz a infiltração de água no solo e a recarga dos aquíferos, afetando a dinâmica do ciclo hidrológico. Castman destaca a importância de políticas públicas voltadas para a conservação da água no meio agrícola, que possam aumentar a infiltração e alimentar os rios durante a estação seca.

Ele também alerta para a necessidade de planejamento integrado que envolva a diversificação das fontes de abastecimento e a criação de reservatórios, além de uma gestão eficiente dos recursos hídricos, para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.

Desafios e perspectivas para a recarga dos aquíferos: Sobre a possibilidade de recarga artificial dos aquíferos, como o Aquífero Guarani, por meio da injeção de água durante o período de chuvas, o pesquisador explica que a reposição natural é muito lenta, com tempos de residência da água subterrânea que podem chegar a milhares de anos. Estudos indicam que a redução do bombeamento em até 30% pode recuperar parcialmente os níveis de água, mas não restabelecer as condições originais.

Além disso, há preocupações ambientais quanto à qualidade da água utilizada para recarga artificial, já que contaminantes presentes podem provocar reações químicas desconhecidas no aquífero, afetando a qualidade da água subterrânea.

Informações adicionais

O pesquisador reforça que a crise hídrica exige medidas preventivas, planejamento e educação ambiental. A comunicação entre gestores públicos, academia e comunidade é fundamental para o desenvolvimento de soluções viáveis e eficientes. A participação coletiva é essencial para enfrentar os desafios da escassez de água, que já provocou crises severas, como a ocorrida em 2008 em Franca, quando a cidade ficou quase uma semana sem abastecimento.

Castman sugere que as regiões afetadas aprendam com as estratégias adotadas no Nordeste brasileiro, onde a convivência com a seca extrema é mais comum, e que essas experiências sejam incorporadas às políticas públicas locais.

Por fim, ele enfatiza que o uso consciente da água no dia a dia, como evitar desperdícios e implementar sistemas de captação de água da chuva, é uma responsabilidade individual que contribui para a mitigação da crise.

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