Economista Edgard Monforte Merlo analisa alta nos preços e tarifas de produtos do dia a dia
A inflação acumulada nos últimos 12 meses atingiu 8%, segundo o IBGE, impactando diretamente o bolso do consumidor brasileiro. Em entrevista à CBN, o professor de economia da USP de Ribeirão Preto, Edgar Garman, analisou a conjuntura econômica atual.
Pressão de preços e perda de renda
O país enfrenta uma combinação crítica: perda de renda, reflexo do desemprego pós-pandemia, aliada a uma forte pressão de preços em alimentos e energia. O aumento nos preços administrados, como o da energia elétrica, agravado pela situação das barragens, contribui para esse cenário. A alta no preço dos alimentos é influenciada pela retomada do crescimento econômico chinês, que impulsiona a demanda global e, consequentemente, o preço da carne vermelha.
Estratégias para o consumidor e desafios governamentais
Diante da situação, o professor sugere mudanças de hábitos de consumo, como a substituição da carne vermelha por frango ou peixe, devido ao seu alto custo. A recuperação da produção pecuária, afetada pela pandemia, levará tempo, possivelmente mais seis ou sete meses. Além disso, a dependência da energia hidrelétrica e a falta de investimentos em fontes alternativas, como a solar, tornam o país vulnerável às variações climáticas, impactando diretamente o preço da energia elétrica. A ausência de planejamento governamental em relação à matriz energética e a falta de políticas de estabilização de preços são apontadas como fatores cruciais para a situação atual.
Combustíveis e a necessidade de planejamento
A alta no preço dos combustíveis, mesmo durante a safra de cana-de-açúcar, é explicada pela preferência das usinas por produzir açúcar, devido aos preços mais atrativos no mercado internacional. A falta de planejamento governamental em diversos setores, incluindo a política cambial, contribui para a instabilidade econômica, afetando diretamente o consumidor. A solução passa por um planejamento estratégico a longo prazo, com foco na diversificação da matriz energética, controle cambial e políticas de estoque regulador para evitar choques de demanda. Somente assim, será possível amenizar os impactos da inflação e garantir maior estabilidade econômica para o país.



