Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Marisa Fernandes
A falta de informação da população brasileira emerge como um dos principais obstáculos para aumentar o número de doações de órgãos no país, impactando diretamente a vida de pacientes que aguardam por um transplante. Uma pesquisa recente revela a percepção dos familiares em relação à abordagem dos profissionais de saúde durante o delicado processo de solicitação para a doação de órgãos.
Desconfiança e Falta de Acolhimento
O estudo aponta para uma crescente desconfiança por parte das famílias em relação à atuação dos profissionais de saúde. Familiares relatam que a abordagem é frequentemente percebida como fria, carente de compreensão e empatia, especialmente em um momento de luto e dor. Essa percepção negativa dificulta a aceitação da doação, mesmo quando essa era a vontade do falecido.
O Dilema da Morte Encefálica
Outro ponto crítico levantado pela pesquisa é a falta de clareza em relação ao conceito de morte encefálica. Muitas pessoas não compreendem como um paciente com batimentos cardíacos e temperatura corporal normais pode ser considerado morto. Essa incompreensão gera dúvidas e receios, impedindo a autorização para a doação. A falta de informação sobre o que acontece após a doação, como o destino do corpo e o tempo necessário para o velório, também contribui para a hesitação.
O Papel Crucial do Enfermeiro
A pesquisa destaca o papel fundamental do enfermeiro na comunicação com a família sobre morte encefálica e doação de órgãos. Embora o diagnóstico de morte encefálica seja uma atribuição médica, o enfermeiro da equipe de captação de órgãos tem autonomia para explicar o processo à família e esclarecer dúvidas. A Resolução do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) inclusive incentiva o enfermeiro a elaborar estratégias de comunicação com a família, equipes e a população em geral.
Apesar dos investimentos em alta tecnologia e infraestrutura para transplantes, o Brasil ocupa apenas a 27ª posição no ranking mundial de doações. O número de potenciais doadores é superior ao de doações efetivadas, evidenciando a importância da conscientização e do diálogo familiar sobre o tema. A superação de tabus e a disseminação de informações precisas são essenciais para aumentar o número de doações e salvar vidas.



