A tecnologia assistida é uma das ferramentas para ser incluída na política nacional
A inclusão de estudantes com deficiência no sistema educacional ainda enfrenta grandes desafios. A falta de acessibilidade a tecnologias assistivas e a carência de formação adequada de professores são obstáculos significativos.
O papel da família e da escola na inclusão
Dalmir Pacheco, professor do Instituto Federal do Amazonas e coordenador de um núcleo de tecnologia assistiva, destaca a importância da família no processo de inclusão. Segundo ele, a família, a escola e o mercado de trabalho formam as três portas para uma inclusão efetiva. A família deve oferecer amor e apoio, enquanto a escola precisa preparar intelectualmente o estudante. Já o mercado de trabalho precisa garantir a independência e autonomia do indivíduo. Ele enfatiza a necessidade de valorizar o potencial de cada pessoa, independentemente de suas deficiências, evitando o assistencialismo e focando na contribuição social que cada um pode oferecer.
Tecnologias assistivas: um desafio de acessibilidade
Pacheco explica que as tecnologias assistivas são essenciais para garantir a equidade no aprendizado. No entanto, o acesso a essas tecnologias ainda é limitado. Ele cita o exemplo do Instituto Federal do Amazonas, onde o núcleo de tecnologia assistiva trabalha na adaptação de materiais didáticos, incluindo narração, áudio descrição, legendas e vídeos em Libras. Apesar dos esforços, a acessibilidade ainda é um gargalo, pois muitos materiais não são adaptados, e o custo de equipamentos como computadores e softwares específicos é alto, tornando-os inacessíveis para muitas famílias.
Leia também
A realidade da inclusão: um faz-de-conta?
O professor critica a situação atual, onde escolas e estudantes com deficiência muitas vezes fingem que o processo de inclusão está funcionando. Ele argumenta que muitos estudantes recebem certificados sem ter o conhecimento necessário, pois não tiveram acesso aos recursos e ao preparo adequados. Pacheco enfatiza que as empresas devem contratar profissionais capacitados, independentemente de suas deficiências, valorizando o conhecimento e o potencial individual. Sua experiência pessoal demonstra que, muitas vezes, as pessoas superam as barreiras impostas pelas deficiências, mostrando seu valor e competência.
A entrevista com Dalmir Pacheco reforça a necessidade de um esforço conjunto da família, da escola e da sociedade para garantir a verdadeira inclusão de estudantes com deficiência, com foco na valorização do potencial individual e no acesso a tecnologias e recursos que promovam a equidade no aprendizado.



