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Falta de política de longo prazo para o setor agrícola é apontada pelos especialistas como responsável pelo alto custo de produção que encarece os produtos no Brasil

Ouça a coluna 'CBN Agronegócio', com José Carlos de Lima Júnior
setor agrícola brasileiro
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A inflação no Brasil tem apresentado um comportamento preocupante, ultrapassando as metas estabelecidas desde 2014 e com projeções de continuidade dessa tendência em 2015. Diante desse cenário, surge a questão: qual será o novo ‘vilão’ da inflação apontado para este ano? Tradicionalmente, os alimentos figuram como os principais responsáveis, com exemplos como o quiabo em 2011, o feijão mulatinho em 2012, o tomate em 2013 e a carne em 2014.

A Composição do IPCA e o Peso dos Alimentos

Para entender a dinâmica da inflação, é crucial analisar a forma como ela é medida. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE, é amplamente utilizado como referência. No entanto, a composição desse índice confere um peso significativo aos alimentos, fazendo com que a cesta básica frequentemente se destaque como a principal vilã. Na realidade, os alimentos representam a etapa final de um complexo sistema de produção, refletindo ineficiências e custos acumulados ao longo do processo até chegar ao consumidor.

O Mito da Produtividade Natural do Brasil

Contrariando a crença popular de que ‘tudo que se planta no Brasil dá’, a realidade é que cerca de 90% do território nacional necessita de tratos culturais adequados para garantir a produção. Isso implica em investimentos por parte dos produtores em defensivos, fertilizantes, mão de obra e maquinário. Nos últimos dez anos, os custos de produção no Brasil têm aumentado consideravelmente, impactando diretamente o preço final dos alimentos.

O Impacto do IPVA sobre o Maquinário Agrícola

Um fator adicional que merece destaque é a recente exigência de pagamento de IPVA para maquinários agrícolas a partir de 2015. Essa medida representa um ônus adicional para os produtores, que já enfrentam desafios relacionados à infraestrutura precária e custos elevados de produção. A falta de condições adequadas de transporte e armazenagem, somada a essa nova tributação, pode comprometer a competitividade do agronegócio brasileiro.

Políticas Setoriais e a Falta de Visão de Longo Prazo

As políticas para o agronegócio no Brasil têm se caracterizado por ações de curto prazo, focadas em safras específicas, em detrimento de um planejamento estratégico de médio e longo prazo. A criação da Embrapa na década de 70, responsável pelo desenvolvimento do cerrado brasileiro, representa um exemplo de política com foco no desenvolvimento sustentável. Atualmente, observa-se uma carência de iniciativas que visem o crescimento consistente do setor, priorizando soluções paliativas que nem sempre são as mais adequadas.

Em suma, a inflação dos alimentos é um reflexo de múltiplos fatores, desde a composição do índice que a mede até os custos de produção e as políticas setoriais. A busca por soluções eficazes exige uma abordagem abrangente, que considere a complexidade do sistema e promova o desenvolvimento sustentável do agronegócio brasileiro.

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