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Família denuncia negligência médica após morte de bebê de 7 meses, em Pitangueiras

Criança teve dengue diagnosticada, mas médico da Santa Casa receitou um medicamento a base de corticoide, o que é contraindicado
Família denuncia negligência médica após morte
Criança teve dengue diagnosticada, mas médico da Santa Casa receitou um medicamento a base de corticoide, o que é contraindicado

Criança teve dengue diagnosticada, mas médico da Santa Casa receitou um medicamento a base de corticoide, o que é contraindicado

A polícia investiga a morte de um bebê de sete meses em Pitangueiras — Família denuncia negligência médica após morte de bebê de 7 meses, em Pitangueiras —. A família suspeita de erro médico e registrou um boletim de ocorrência. O caso também foi comunicado à CBN para relatar a perda e acompanhar as investigações.

Segundo relatos do pai da criança, Paulo César, o bebê Ravi André de Zaparole apresentou febre no dia 22 de maio e foi atendido na Santa Casa de Pitangueiras. Na unidade de saúde, foi realizado um exame de sangue que indicou suspeita de dengue. No mesmo dia, um médico confirmou o diagnóstico e prescreveu dipirona para a febre e um medicamento com corticoide.

“A minha esposa me mandou mensagem, estava no trabalho, falando que ele estava assim, que ela já estava levando ele no médico. Não era normal, ele estava com muita febre. Ele foi ao médico, fizeram o exame, constataram suspeita de dengue, deram dipirona para ele. Ele apresentou uma melhora, porém, além da dipirona, passou outras medicações, das quais uma não deveria ter sido dada para o nosso filho. Mas, como leigos, acreditamos na medicina e nos profissionais”, relatou Paulo César.

Nos dias seguintes, o bebê voltou várias vezes ao médico devido ao agravamento do quadro. As manchas na pele aumentaram e o bebê apresentava dores intensas, comportamento incomum para ele. Apesar disso, os médicos orientaram a família a continuar com as medicações e a permanecer em casa.

“No dia seguinte, o menino não estava bem, voltou ao médico, as manchas aumentaram, a médica examinou e pediu para continuar com a medicação, deu dipirona e mandou voltar para casa. Isso se repetiu por três ou quatro dias consecutivos. O menino estava cada vez pior, com dor, e eles pediam para voltar para casa”, afirmou o pai.

Na sexta-feira, foi a última vez que a criança foi levada ao médico. No domingo seguinte, a família retornou para repetir os exames, mas o bebê já havia falecido. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal de Ribeirão Preto, onde um laudo pericial deve apontar a causa da morte.

A mãe, Tatiana, está muito abalada e não quis comentar o caso. O pai, por sua vez, pede justiça e responsabilização dos profissionais que atenderam o filho.

“Nosso filho era muito saudável e não poderia ter recebido essas medicações. Além do primeiro médico, ele passou por outros dois ou três, e nenhum pediu para suspender os remédios. Isso poderia ter salvado a vida do meu filho. Ele teve dengue que evoluiu para uma hemorragia, e isso matou meu filho. Passaram por dois, três médicos e ninguém conseguiu evitar a morte dele”, declarou Paulo César.

Investigação e posicionamento da prefeitura: A Prefeitura de Pitangueiras informou que não possui acesso aos dados dos pacientes atendidos na Santa Casa, devido à proteção garantida pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A assessoria da prefeitura ressaltou que este é o posicionamento oficial do órgão e não comentou sobre as medidas investigativas.

Apesar disso, a importância da investigação por parte da prefeitura foi reforçada, considerando que a família buscou atendimento médico por cinco dias consecutivos antes da morte do bebê.

Próximos passos: O laudo da perícia da Polícia Civil deve ser divulgado nos próximos dias, indicando a causa oficial da morte do bebê. A família anunciou a intenção de processar os profissionais que atenderam a criança, ação que está sendo acompanhada pela imprensa.

Contexto do caso: O caso evidencia a complexidade do atendimento médico em situações de suspeita de dengue em crianças pequenas, especialmente quando há agravamento dos sintomas. A suspeita da família de erro médico levanta questões sobre o acompanhamento e a conduta adotada durante o tratamento.

Entenda melhor

Dengue é uma doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que pode apresentar sintomas como febre alta, manchas na pele, dores no corpo e, em casos graves, hemorragias. O tratamento geralmente envolve o controle da febre e a hidratação adequada, mas o uso de corticoides é controverso e deve ser avaliado com cautela em pacientes com dengue.

O Instituto Médico Legal realizará exames para determinar a causa da morte, o que poderá esclarecer se houve erro médico ou complicações naturais da doença.

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