Mulher tinha 71 anos; responsável técnica da UPA afirma que a vítima não precisava de UTI e morreu depois de sofrer um infarto
Uma idosa de 71 anos morreu esperando por atendimento em um hospital de Bebedouro, interior de São Paulo. A aposentada Vanda Lúcia Pereira foi levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na sexta-feira anterior ao falecimento e, segundo seu filho, Marcelo Pereira, ficou aguardando atendimento em uma área destinada a pacientes com sintomas gripais.
Falta de Vagas e Atendimento Insuficiente
Marcelo relata que sua mãe esteve na UPA três vezes na semana anterior à sua morte, recebendo apenas medicamentos e sendo mandada para casa sem exames ou isolamento. No dia do óbito, a idosa estava em uma cadeira, sem assistência adequada de enfermeiros, com apenas um médico para atender cerca de 30 pessoas. Testes de Covid-19 foram realizados, mas os resultados ainda não haviam saído; a suspeita é de dengue.
Sobrecarga do Sistema de Saúde
A responsável técnica da UPA, Maria Carolina Favareto, confirmou o óbito, relatando uma piora progressiva do estado de saúde de Vanda, culminando em uma parada cardíaca. Favareto explicou que a UPA não possui leitos de UTI, apenas leitos para estabilização de pacientes graves, e que a regulação de vagas em UTI é feita pela Cross (sistema da Divisão Regional de Saúde do Governo Estadual), que estava com 100% de ocupação em Barretos, cidade que também atende Bebedouro. Atualmente, sete pacientes aguardam por leitos de UTI em Bebedouro.
Leia também
Implicações e Reflexões
O presidente da Fundação Pio XII, Henrique Prata, alertou sobre os riscos da falta de verba para a saúde, resultando em estruturas improvisadas e sobrecarregadas. A região de Barretos, que inclui Bebedouro, apresenta taxas de ocupação de UTI próximas a 95% e de enfermaria acima de 58%. A situação demonstra a fragilidade do sistema de saúde, com consequências trágicas para pacientes que necessitam de atendimento urgente. A família da idosa recebe nossas condolências neste momento de dor.



