De acordo com especialista, a mudança de comportamento gera queda na qualidade de vida
As famílias brasileiras estão apertando os cintos. Em tempos de instabilidade econômica, a prioridade é pagar as contas básicas, como luz, água, alimentação e remédios. Isso tem levado a uma redução significativa nos gastos com lazer e outras despesas não essenciais, impactando diretamente a qualidade de vida da população.
Priorizando o Essencial: Queda nos Gastos com Lazer
A pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Logistas (CNDL) aponta uma queda média de 20% nos gastos com lazer em comparação com 2018. Os brasileiros estão mais cautelosos, priorizando o pagamento em dia de contas como internet, TV por assinatura e telefonia. Os atrasos nesses pagamentos caíram 20% desde 2018, indicando um esforço para manter as finanças em ordem. A inadimplência também teve um recuo de quase 1%, o segundo menor índice desde 2012.
Cenário Econômico e o Impacto no Consumo
Para o economista Eduardo Roiz Morales, essa aparente boa notícia esconde uma realidade preocupante: a queda no consumo das famílias. A redução de gastos não representa uma retomada econômica, mas sim um ajuste forçado para baixo, um corte na qualidade de vida em decorrência de um longo período de recessão e estagnação. As famílias estão gastando apenas o que têm disponível, evitando o crédito e priorizando o pagamento à vista. Mesmo ofertas como o crediário não têm atraído os consumidores, demonstrando a cautela do momento.
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Perspectivas e Desafios
O cenário econômico atual é desafiador. A pesquisa da CNDL revela que mais da metade das dívidas de pessoas físicas são com bancos e instituições financeiras, com destaque para o aumento de 7,5% nas dívidas da população idosa (65 a 84 anos). O fácil acesso ao crédito para esse grupo, devido à renda fixa, aumenta o risco de inadimplência. Mesmo medidas governamentais, como o saque do FGTS, podem ter seu impacto minimizado, pois boa parte dos recursos provavelmente será destinada ao pagamento de dívidas, sem gerar empregos. Apesar do aumento no número de trabalhadores por conta própria, o alto índice de desemprego (12,8 milhões de pessoas) demonstra a dificuldade da retomada do crescimento econômico.



