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Famílias sofrem com falta de vagas para dependentes químicos em Ribeirão

Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Marisa Fernandes
Falta de vagas dependentes químicos
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O drama da dependência química e a falta de vagas em clínicas públicas para tratamento são realidades enfrentadas por diversas famílias em Ribeirão Preto e região. Um caso emblemático é o de Maria Pereira, mãe que, desesperada, acorrentou o filho usuário de drogas para se proteger de agressões e impedir que ele saísse em busca de entorpecentes. A dificuldade em encontrar uma vaga no sistema público de internação agrava ainda mais a situação.

O Desespero de uma Mãe

Maria relata o sofrimento de conviver com o filho dependente. “Quando ele está drogado ou quer a droga, ele não me reconhece como mãe. Já me agrediu várias vezes, mesmo acorrentado”, desabafa. As tentativas de internação anteriores foram frustradas, com o filho fugindo das clínicas de recuperação. A situação expõe a fragilidade do sistema de apoio aos dependentes químicos e suas famílias.

A Luta de Outras Famílias

Outro pai, que preferiu não se identificar, compartilha a angústia de ver o filho de 22 anos, usuário de drogas desde os 12, lutar contra o vício. Após quatro internações, o problema persiste. “O maior tempo que ele conseguiu ficar limpo foi de 20 dias”, conta. Apesar das recaídas, ele acredita na recuperação do filho, mas ressalta a necessidade de uma vaga em uma clínica pública, pois a família não possui recursos para arcar com mais internações particulares. A falta de uma clínica pública especializada em Ribeirão Preto, uma cidade de grande porte, é uma lacuna preocupante.

A Resposta do Poder Público

Ribeirão Preto dispõe de 140 leitos psiquiátricos, sendo apenas 30 destinados ao tratamento de dependentes químicos. Atualmente, não há vagas disponíveis para internação, com uma fila de espera de 30 pacientes, número que sobe para 115 se considerados os municípios vizinhos. O coordenador de saúde mental de Ribeirão Preto, Alexandre de Souza Cruz, informa que existem vagas pelo programa “Cartão Recomeço”, em que o estado repassa o valor da internação para clínicas credenciadas. No entanto, o tempo de espera pode ser longo devido aos critérios de prioridade. Cruz afirma que o município pretende construir uma clínica pública, com uma verba inicial de 500 mil reais já destinada para o projeto. Há também a expectativa de uma clínica estadual, que está em fase de licitação.

A complexidade do problema da dependência química exige soluções urgentes e eficazes, que envolvam o poder público, a sociedade civil e as famílias, para garantir o acesso ao tratamento e a reinserção social dos dependentes.

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