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Famílias vivem drama com a demolição de casas em Igarapava

Residências são de Vila que fica perto da parte da Usina Junqueira que está sendo demolida
Demolição de casas em Igarapava
Residências são de Vila que fica perto da parte da Usina Junqueira que está sendo demolida

Residências são de Vila que fica perto da parte da Usina Junqueira que está sendo demolida

A Vila Junqueira, localizada em Igarapava, interior de São Paulo, pulsa com a nostalgia de um passado glorioso. Com sua praça, igreja, escola e comércio, a vila reúne os elementos essenciais para se tornar cidade, mas enfrenta um dilema que ameaça sua existência: a demolição de suas casas.

Memórias e Resistência

Para muitos moradores, como a aposentada Jassira da Cruz, a Vila Junqueira é mais do que um lugar; é um lar ancestral. “Eu nasci aqui, meu pai morreu aqui”, compartilha Jassira, expressando sua tristeza com a situação das casas. A colônia, erguida na década de 1940, abrigava os trabalhadores da usina do Coronel Quito Junqueira, um período de prosperidade e união.

João Bertanha, outro morador nascido na vila, recorda com sua esposa Maria Abadia, os tempos áureos da região. “Eu me lembro aqui, quando era moleicão, por lá, ali nessa colônia…”, relembra João, traçando um panorama de uma comunidade vibrante e ativa. A usina impulsionava a economia local, proporcionando trabalho e sustento para inúmeras famílias. As crianças recebiam calçados e uniformes escolares, um símbolo de cuidado e prosperidade. No entanto, a cada família que se muda, um pedaço da história da Vila Junqueira se perde.

O Legado em Risco

Com o falecimento do Coronel Quito Junqueira, a área passou para a Fundação Cinha Junqueira, que cobra aluguel dos moradores. O número de habitantes diminuiu drasticamente, com metade das 278 casas desocupadas. A demolição iminente das casas na última rua da vila gera apreensão e revolta, como expressa Mário Sergio Ferreira, nascido e criado no local. “Já demoliu as casas, e estou vendo atrásra a demolição das outras casas, fico muito triste”, lamenta Mário, recordando os tempos de sinuca, campo de futebol, escola e creche gratuitas. Ele apela para a doação das casas aos moradores necessitados e para a municipalização dos imóveis desocupados.

Impasse e Esperança

A Fundação Cinha Junqueira justifica a demolição de 58 casas devido à deterioração das estruturas, inviabilizando a reforma. Valdir Crivelaro, superintendente da fundação, afirma que os moradores foram realocados em casas em melhores condições. A fundação planeja construir um muro para separar as casas demolidas das preservadas, garantindo que a vila não será extinta. A doação das casas é inviável, pois são patrimônio da fundação, mas existe uma negociação em andamento com a prefeitura para municipalizar a vila.

A prefeitura de Igarapava busca desde 2013 incorporar a Vila Junqueira como bairro da cidade, com um pedido formal enviado ao Ministério Público. O promotor Adriano Melega, ciente do caso, determinou a suspensão imediata da demolição e se comprometeu a avaliar a situação das casas antes de tomar qualquer decisão.

O futuro da Vila Junqueira permanece incerto, mas a luta de seus moradores e a intervenção das autoridades reacendem a esperança de preservar um patrimônio histórico e cultural de valor inestimável.

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