Farmacêutica Edlaine Braschi Moretti conversou com a CBN Ribeirão
Uma nova resolução publicada no Diário Oficial permite que farmacêuticos prescrevam medicamentos que não exigem receita médica, ampliando as atribuições desses profissionais e visando maior segurança na relação entre consumidores e farmácias. Edilane Brasque-Moretti, farmacêutica e diretora regional do Conselho de Farmácia, seccional Ribeirão Preto, esclarece as mudanças e os impactos dessa decisão.
O que muda com a nova resolução?
A principal mudança é a regulamentação de uma prática que já ocorria informalmente. O objetivo é garantir que o paciente receba orientações adequadas sobre os efeitos colaterais e interações medicamentosas, evitando que simplesmente escolha o remédio e vá embora. Agora, os farmacêuticos estão autorizados a prescrever antitérmicos e analgésicos, o que formaliza o auxílio que já prestavam à população.
Resistência e o papel do farmacêutico
Apesar de alguma polêmica inicial, principalmente por parte da classe médica que temia uma invasão de espaço, a resolução visa estreitar a relação entre médicos e farmacêuticos. O farmacêutico não busca substituir o médico, mas sim complementar o atendimento, auxiliando na correta utilização dos medicamentos e encaminhando o paciente ao médico quando necessário. A medida é vista como uma vitória para a classe farmacêutica, que busca garantir o acesso da população a medicamentos e informações adequadas para o uso correto.
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Responsabilidades e segurança do paciente
A nova resolução aumenta a responsabilidade dos farmacêuticos, que atrásra devem documentar todas as prescrições, garantindo maior segurança para o paciente. Embora exista o risco de que a prescrição de um antitérmico, por exemplo, possa mascarar um problema mais grave, os farmacêuticos estão sendo preparados para avaliar o quadro do paciente e encaminhá-lo ao médico quando necessário. A resolução se baseia na lei federal 3.820/60, que confere autonomia administrativa aos conselhos de farmácia.
A medida busca otimizar o sistema de saúde, promovendo o bem-estar da população através do uso correto de medicamentos e da atuação complementar entre farmacêuticos e médicos.



