Pesquisador, Benedito Lopes da Fonseca, explica mais sobre o vírus e quais são as formas de prevenção; entenda
A Secretaria de Saúde de Ribeirão Preto aguarda a contraprova da análise das amostras de quatro macacos bugios encontrados mortos no campus da Universidade de São Paulo (USP), na zona oeste da cidade. As amostras foram enviadas ao Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, para confirmação da presença do vírus da febre amarela, detectado inicialmente em laboratório de virologia a partir da análise das vísceras dos animais.
Os quatro macacos foram encontrados entre o Natal e o Ano Novo. A Secretaria de Saúde já iniciou o planejamento de vacinação contra a febre amarela para a população, caso a confirmação do vírus seja oficializada pelo Instituto Adolfo Lutz, o que deve ocorrer em até 30 dias.
Contexto epidemiológico: Os últimos casos de febre amarela em Ribeirão Preto foram registrados em 2017, quando um homem morreu e pelo menos cinco macacos foram diagnosticados com a doença. A febre amarela é uma doença grave, transmitida por mosquitos que picam macacos e humanos, mas apresenta baixa incidência no país devido à vacinação.
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Plano de vacinação e orientações: Segundo o secretário municipal de Saúde, Maurício Godinho, crianças a partir de 9 meses e até 4 anos devem ser vacinadas, enquanto adultos vacinados há mais de cinco anos não precisam de reforço. A Secretaria reforça que não há motivo para pânico e que a vacinação está sendo organizada conforme a confirmação laboratorial.
Transmissão e prevenção: O pesquisador Benedito Lopes da Fonseca, que comanda o laboratório da USP, explicou que o vírus da febre amarela circula principalmente entre macacos bugios, transmitido por mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, que vivem nas copas das árvores. Esses mosquitos são diferentes do Aedes aegypti, que transmite a febre amarela no ambiente urbano e também é vetor da dengue, zika e chikungunya.
O pesquisador destacou que não há casos suspeitos ou confirmados em humanos na cidade até o momento. Ele alertou para a importância de não matar os macacos, pois eles também são vítimas da doença e servem como indicadores da circulação do vírus.
Medidas recomendadas: A principal estratégia para evitar a transmissão da febre amarela para humanos é a vacinação, que possui alta eficácia e proteção duradoura com uma dose em adultos. Crianças devem receber a primeira dose aos 9 meses e um reforço aos 4 anos. Além disso, o controle do mosquito Aedes aegypti no ambiente urbano é fundamental para prevenir a transmissão da doença.
Informações adicionais
A Secretaria de Saúde de Ribeirão Preto convocou coletivas para atualizar a população sobre o andamento das análises e o plano de contenção da febre amarela. A confirmação oficial do vírus pelo Instituto Adolfo Lutz é necessária para definir as ações a serem tomadas.



