Décima sexta edição do evento está com menos stands, mas público diz que atrações e preços continuam atrativos
A Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto, tradicional evento que já ocupou grandes espaços como a Praça XV e a Praça Carlos Gomes, adaptou-se aos tempos e apresenta uma edição mais compacta em 2016. O Parque Maurílio Biage, palco de edições passadas, não faz parte da programação deste ano.
O Encolhimento e a Percepção do Público
A retração do evento reflete o cenário econômico recessivo que afeta diversos setores, incluindo o literário. Visitantes como a dona de casa Aparecida Nandes e o comerciante Lauro Rodrigues notaram a mudança. “Preocupa, porque sinal não sei o que está acontecendo, mas o pessoal sumiu. É a crise, né?”, disse Aparecida. Lauro complementou: “Eu acho que está bem, diminuiu muito, né? O tamanho, o movimento, se prendeu.” Apesar da redução, a feira mantém seu charme e importância na promoção da leitura e cultura na cidade.
Organização e Preços Atrativos
Apesar do tamanho mais enxuto, a Feira do Livro de 2016 se destaca pela organização. A estudante Morgana Cristina, de 20 anos, elogiou a disposição dos estandes e a facilidade de encontrar o que procura. “Eu realmente achei que ela está bem mais enxuta, que ela está bem menor, mas eu achei que ela está bem organizada dessa vez. Comparado com as outras vezes que eu vim, ela está bem organizada mesmo.” Outro ponto positivo são os descontos oferecidos pelas editoras e livrarias, que chegam a até 70%. A professora Marília Sayane aproveitou os preços convidativos para adquirir livros para seus filhos e alunos.
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Estratégias para Manter a Qualidade
A superintendente da Feira Nacional do Livro, Viviane Mendonça, assegura que a redução no tamanho não compromete a qualidade cultural do evento. “Em relação ao número de estantes, este ano a gente está adotando uma estratégia diferente. Na verdade a gente está com menos editoras, menos livrarias, mas buscando qualificar melhor a participação dessas livrarias.” A organização também investiu na criação de espaços de leitura, como a Praça do Leitor, para proporcionar momentos de convívio e apreciação literária.
A Cultura como Caminho
O renomado escritor Inácio de Loyola Brandão, presente no evento, ressaltou o papel da cultura na transformação do país, embora não vislumbre soluções imediatas para a crise. “A cultura inculcada, lentamente, ampliada, prestigiada, o que não parece ser a intenção desses governos, porque as verbas das culturas de educação e da saúde são cada vez mais reduzidas, a cultura pode modificar as cabeças e o futuro é outro.” A Secretaria Municipal de Educação confirmou o repasse de R$ 300 mil em formato de cartão livro para que as escolas municipais renovem seus acervos.
A Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto, mesmo em formato reduzido, demonstra sua resiliência e compromisso com a disseminação do conhecimento e o incentivo à leitura.



