Ouça o primeiro bloco do programa deste sábado (26)
O Almanac desta manhã de sábado, 26 de janeiro, debate um tema alarmante: o feminicídio. Dados recentes apontam um aumento de 51% nos registros de mortes e tentativas de assassinato de mulheres entre 2016 e 2018, somando 1.469 casos. O Rio Grande do Sul lidera em número de ocorrências, seguido por Santa Catarina e Goiás.
O que é feminicídio?
Marcia Pieri, advogada e presidente da Associação Programa de Mãos Estendidas, esclarece que o feminicídio é o assassinato de mulheres em razão do gênero, caracterizado pela indefesa, humilhação e vulnerabilidade da vítima. A discussão sobre a distinção entre feminicídio e homicídio é complexa, dependendo de provas e investigação, mas a violência doméstica frequentemente precede o feminicídio.
Causas e desafios
Regina Brito, assistente social do núcleo de apoio feminista Vitória, destaca a cultura do machismo e o patriarcado como fatores contribuintes. A violência, muitas vezes iniciada psicologicamente, culmina em assassinatos brutais, muitas vezes na presença de crianças. O médico psiquiatra Thiago Dornela Apolinário, do Hospital das Clínicas da USP de Ribeirão Preto, ressalta a dificuldade das mulheres em buscar atendimento, a importância da informação e a necessidade de serviços de saúde especializados. Ele também enfatiza a importância de não julgar ou pressionar as vítimas, respeitando o tempo delas para processar a situação e decidir como agir.
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Dados preocupantes e caminhos para o futuro
Pesquisas como a do Instituto Patrícia Galvão revelam a vergonha, o medo e a dependência financeira como barreiras para as mulheres deixarem seus agressores. Um estudo do Ministério Público do Estado de São Paulo analisou 365 casos de feminicídio, mostrando que 45% ocorreram após separação e que a maioria das vítimas não havia registrado boletim de ocorrência. A solução, portanto, envolve um trabalho multidisciplinar que acolha e trate a mulher, permitindo que ela, por si mesma, rompa o ciclo de violência.



