Especialista em saúde pública, Dr. José Sebastião dos Santos, fala sobre as formas de combate traçadas daqui para frente
O médico José Sebastião dos Santos, que atua no HC e é especialista em saúde pública, avalia a situação da saúde em meio a uma nova onda de casos. Ele destaca a preocupante escassez de funcionários, agravada pela falta de reposição automática por parte do governo, e o desmonte dos serviços municipais, que dificultam a reorganização da rede de atendimento.
Falta de Funcionários e Desmonte dos Serviços Municipais
Segundo o Dr. José Sebastião, a redução de leitos no HC se deve à falta de funcionários, com cerca de 400 vagas não preenchidas. Ele observa um desmonte dos serviços municipais, especialmente nos municípios menores, que não conseguiram manter a estrutura de atendimento da onda anterior. Essa situação exige uma reorganização abrupta e complexa dos serviços, dificultada pela escassez e pela necessidade de capacitação prévia dos profissionais.
A Importância da Atenção Básica e da Cooperação Regional
O médico chama atenção para a necessidade de uma maior cooperação entre os diferentes níveis de governo (federal, estadual e municipal) e a importância crucial da atenção básica. Ele argumenta que muitos casos poderiam ser resolvidos com uma avaliação adequada nas unidades básicas de saúde, evitando a sobrecarga nos prontos-socorros e hospitais. A falta de atenção à atenção básica, segundo ele, resulta em aglomerações em farmácias e prontos-atendimentos, o que agrava a situação. O Dr. José Sebastião defende uma cooperação regional mais efetiva, com uma ação coordenada das direções regionais de saúde, para que os serviços se reorganizem e o ônus seja bem distribuído entre as unidades de saúde.
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Ações Necessárias para Enfrentar a Crise
Para o Dr. José Sebastião, a solução passa por uma reorganização imediata, começando pela atenção básica. Municípios com melhor estrutura devem auxiliar os que enfrentam maiores dificuldades. É preciso definir claramente o papel da atenção básica e das unidades de pronto atendimento, reservando leitos de enfermaria e UTI nos hospitais, de acordo com a demanda. A cooperação regional, com uma rede de apoio mais solidária, é fundamental para evitar a sobrecarga das unidades de pronto atendimento e hospitais de alta complexidade. A falta de planejamento e a demora na reestruturação dos serviços são apontadas como um grave problema, exigindo uma ação mais rápida e articulada dos governos municipal, estadual e federal.



