João Túbero conversa com Gabriel Said, sociólogo e treinador em formação, sobre o atual técnico do Fluminense e campeão Carioca
Neste sábado, o programa ‘Nas Quatro Linhas’ da CBN Ribeirão Preto dedicou-se a uma análise aprofundada do trabalho de Fernando Diniz, treinador do Fluminense e campeão carioca. O programa contou com a participação do sociólogo e mestrando em antropologia Gabriel Said, especialista em Diniz e colaborador de veículos como o Ludopédio e a Universidade do Futebol.
Fernando Diniz: O mesmo treinador, uma constante evolução?
Uma questão central do debate foi se existe um único “Fernando Diniz” ou se ele se transformou ao longo de sua carreira. Gabriel Said argumenta que, embora Diniz afirme ser a mesma pessoa, sua evolução como treinador é perceptível na forma como seus times trabalham. Apesar da manutenção de princípios, há mudanças na expressão em campo, adaptando-se a cada clube e contexto.
O jogo aposicional: princípios e características
O programa explorou o conceito de “jogo aposicional”, uma terminologia aparentemente criada pelo próprio Diniz para descrever seu estilo. Diferentemente do jogo posicional, que prioriza os espaços em campo, o jogo aposicional toma como referência a posição da bola, com jogadores se aproximando frequentemente, mesmo que isso signifique concentrar vários jogadores em um único lado do campo. Essa estratégia, marcada pelo grito frequente de Diniz “movimenta, movimenta, movimenta”, resulta em jogadores que mudam de posição durante a jogada, contrastando com o jogo posicional.
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A defesa, muitas vezes criticada em trabalhos anteriores de Diniz, também foi discutida. O Fluminense de 2023 apresenta uma melhora significativa, com mais jogadores auxiliando na saída de bola e um recorte defensivo melhor que em anos anteriores, mostrando evolução tática e estratégica.
Coragem, ética e o legado de Diniz
A entrevista destacou a ênfase de Diniz na coragem para jogar e a busca pelo potencial individual de cada jogador. Gabriel Said compara a abordagem de Diniz com a de Abel Ferreira, no Palmeiras, mostrando que a coragem em campo pode se manifestar de diferentes formas. Para Said, o foco principal de Diniz é a relação humana, a ética antes da tática, buscando resgatar o “crack” que existe em cada jogador, independentemente de sua posição ou desempenho anterior. Essa abordagem resultou em transformações significativas na carreira de jogadores como Alan, Bruno Guimarães e Kawan Hik, demonstrando o impacto positivo da filosofia de Diniz.
O programa também abordou a questão da alta performance esportiva como uma máquina de moer gente, contrastando com a abordagem humanizada de Diniz. A conversa finalizou com uma reflexão sobre a importância de treinadores que incentivam seus jogadores a errar, crucial para o desenvolvimento e bem-estar dos atletas, em contraste com a pressão muitas vezes tóxica presente no futebol profissional.