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Fernando Haddad marca reunião com prefeitos para debater a reoneração de folhas salariais

Cientista político, Bruno Silva, fala desta movimentação do Governo Federal na coluna 'De Olho na Política'
Fernando Haddad marca reunião com prefeitos
Cientista político, Bruno Silva, fala desta movimentação do Governo Federal na coluna 'De Olho na Política'

Cientista político, Bruno Silva, fala desta movimentação do Governo Federal na coluna ‘De Olho na Política’

O governo federal intensificou nas últimas semanas negociações com prefeitos e entidades municipais sobre a desoneração da contribuição previdenciária dos municípios — tema que promete criar atritos internos no Executivo e gerar impacto nas contas públicas. A controvérsia ganhou força após a tramitação do projeto de lei 1027/2024, que prevê redução da alíquota para cidades com até 50 mil habitantes.

Proposta e impacto fiscal

O texto em debate prevê reduzir a alíquota previdenciária de cerca de 20% para cerca de 8% em 2024, com escalonamento previsto para 10% em 2025, 12% em 2026 e 14% em 2027. Estimativas da área econômica citadas em reuniões indicam que a queda imediata para 8% poderia representar perda de arrecadação da ordem de R$ 33,7 bilhões até 2026.

Esse cenário levou órgãos como a Receita Federal e o Ministério da Fazenda a advertirem sobre o risco de um rombo nas contas públicas e sobre o sinal que uma medida dessa natureza enviaria ao mercado em termos de responsabilidade fiscal.

Reações dos municípios e articulações políticas

Entidades municipais, lideradas pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), reclamam que a manutenção da desoneração é essencial para preservar as finanças dos pequenos municípios e evitar repasses extras ao funcionalismo. Segundo a CNM, houve encontro com representantes do Executivo em 10 de abril para tratar do projeto, e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, já teria manifestado apoio à manutenção do benefício.

Do outro lado, ministérios da área econômica defendem que a medida só seria viável em modelo escalonado e com contrapartidas que não agravem o déficit fiscal. A negociação passa a ser, portanto, uma sequência de concessões e resistências entre governo federal, Congresso e entidades municipais.

Riscos políticos e econômicos

Além do impacto orçamentário, a disputa expõe fissuras internas do governo. Fontes políticas descrevem uma queda de braço entre o aparelho econômico, que busca preservar regras fiscais, e setores do Executivo e do Congresso que pressionam por medidas de alívio para prefeitos e por maior atuação do Estado em políticas públicas.

Para analistas, uma eventual reversão abrupta da desoneração poderia acarretar custo político significativo — afinal, beneficiar ou onerar municípios tem reflexo direto junto ao eleitorado local — mas também implicaria em risco econômico se levar a um enfraquecimento das contas públicas e da confiança do mercado.

As próximas semanas devem registrar novas rodadas de negociação e tentativas de desenho de fórmulas intermediárias. Enquanto isso, municípios acompanham de perto cada movimento, e o governo tenta equilibrar pressões políticas com a necessidade de manter a agenda fiscal.

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