Cerca de 400 pessoas foram do Palácio Rio Branco até a porta da igreja neste domingo
Centenas de pessoas se reuniram na Praça Rio Branco, em frente à prefeitura de Ribeirão Preto, no último domingo, para protestar contra a localização das novas estações de ônibus. Os manifestantes buscam sensibilizar o poder público a reconsiderar a proximidade das estruturas com a Catedral da cidade.
Manifestação Reúne Igreja e Sociedade Civil
A manifestação, que ocorreu no encontro da Rua General Osório com a Rua Cerqueira César, contou com um trio elétrico animado por músicos e representantes da igreja, atraindo a atenção de quem passava pelo centro de Ribeirão Preto. Cantí de Maganine, secretário do Ferp, destacou que o ato é um dos pilares da luta pela preservação do patrimônio histórico, expressando confiança na reversão da decisão de construir as estações próximas à Catedral.
Argumentos Técnicos, Sociais e Judiciais
Maganine argumenta que a questão é primordialmente técnica, baseada em laudos da própria prefeitura que apontam o impacto das vibrações na estrutura da Catedral. Em segundo lugar, ele ressalta o aspecto social, evidenciado pela união da comunidade contra a localização. Por fim, ele menciona a via judicial como último recurso, caso as outras instâncias não surtam efeito. A historiadora Naenora Freitas defende a criação de um calçadão em frente à Catedral, a exemplo do que foi feito com o Teatro Pedro II, valorizando a história da cidade e a importância da igreja como marco de seu desenvolvimento.
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Política e Patrimônio em Debate
O sociólogo Baldo Silveira acredita que a insistência do poder público em acelerar as obras, mesmo diante de laudos técnicos desfavoráveis e da oposição da população, tem motivação política. Ele enfatiza que a Catedral é um patrimônio histórico da humanidade e apela para que o poder público reconsidere sua posição. Após a manifestação em frente à prefeitura, os participantes percorreram as ruas Cerqueira César e Américo Brasiliense até a Catedral, onde o Padre Francisco Jaber questionou o início das obras e cobrou o apoio da Câmara Municipal.
Uma audiência no Ministério Público está agendada, com a participação do Compac (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural), que, segundo Cantí de Maganini, já se posicionou contra a localização das estações. O Conselho Municipal do Patrimônio Histórico também se manifestou contrário ao projeto. A expectativa é que a audiência traga à tona a discordância judicial e a necessidade de repensar a estratégia de mobilidade urbana em relação ao patrimônio histórico de Ribeirão Preto.
O evento demonstra a mobilização da comunidade em defesa do patrimônio histórico e cultural da cidade, buscando um diálogo construtivo com o poder público para encontrar soluções que conciliem as necessidades de mobilidade urbana com a preservação da memória e da identidade local.



