As expressões que dão personificações a seres inanimados foram abordadas no exame; confira a análise de Lígia Boareto
O tema da prova de Humanidades do ENEM, que abordou a música “Admirável Gado Novo” de Zé Ramalho, gerou curiosidade por ter sido discutido na coluna “Papo Certo” da CBN na semana anterior. A canção, que contém a frase “Os automóveis ouvem a notícia e os homens a publicam no jornal”, exemplifica a personificação, figura de linguagem que atribui características humanas a objetos inanimados.
Personificação e Prosopopeia no ENEM
A discussão sobre personificação e prosopopeia, figuras de linguagem que atribuem características humanas a objetos ou animais, foi o ponto central da coluna. A música de Zé Ramalho serviu como exemplo perfeito, mostrando como a atribuição da ação de “ouvir” aos automóveis ilustra essa figura de linguagem. A coluna também revisitou exemplos clássicos como o livro Vidas Secas de Graciliano Ramos.
Vidas Secas e a Invisibilidade Social
Vidas Secas, obra de Graciliano Ramos, foi analisado como um exemplo de animalização do ser humano e humanização do animal. A personagem Baleia, uma cadela, demonstra características humanas, enquanto a família de Fabiano, com seus filhos sem nome, representa a invisibilidade social. Essa invisibilidade, a falta de registro civil, foi o tema da redação do ENEM, conectando a obra literária com a realidade social brasileira.
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A Importância da Leitura e o Acesso à Cidadania
A ausência de registro civil no Brasil afeta milhões de pessoas, negando-lhes direitos básicos como educação, trabalho formal e o direito ao voto. A discussão sobre a invisibilidade social e a importância do registro civil para o acesso à cidadania reforça a necessidade de ampliar o repertório de leitura para melhor interpretar as questões do ENEM e compreender a complexidade dos temas sociais. Obras como A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, também foram sugeridas como leitura complementar para enriquecer o repertório cultural e a capacidade de análise crítica.