FIL tem debate sobre os costumes impostos aos meninos e às meninas
Um bate-papo imperdível sobre gênero e sociedade agitou a Feira Internacional do Livro, com a participação da psicanalista Maria Homem. A discussão central girou em torno do seu livro “Coisa de Menino”, explorando as construções sociais que moldam as identidades de homens e mulheres.
Desconstruindo Estereótipos de Gênero
O ponto de partida foi a análise da expressão “coisa de menino” (e, por extensão, “coisa de menina”). Maria Homem questionou como, ao longo da história, a sociedade segregou os gêneros, atribuindo características e papéis distintos a cada um. Frases como “homem não chora” ou “mulher é mais cuidadosa” exemplificam essa divisão, que limita o desenvolvimento pleno de indivíduos.
O Cérebro Humano e a Liberdade de Ser
A psicanalista enfatizou que as aptidões e os sentimentos pertencem à humanidade como um todo, e não a um gênero específico. Todos choram, cuidam, pensam e praticam esportes. A luta das mulheres por espaço no futebol e em outras áreas tradicionalmente masculinas demonstra a necessidade de repensar essas barreiras. A ideia é abrir a mente para a possibilidade de que não existam atividades ou características exclusivas de um gênero.
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Repensando a Educação e os Espaços Sociais
A conversa abordou a importância de oferecer brinquedos e atividades diversas para crianças, sem reforçar estereótipos. Meninos e meninas devem ter a liberdade de explorar diferentes papéis e desenvolver suas habilidades em todos os campos. A divisão entre espaço público (masculino) e privado (feminino) também foi questionada, defendendo a igualdade de oportunidades para homens e mulheres em todas as áreas da vida.
A Crise da Masculinidade e a Saúde Mental
A discussão tocou em um ponto crucial: a crise da masculinidade tradicional, que impõe aos homens a repressão de seus sentimentos. Essa pressão pode levar a problemas de saúde mental, como depressão, dependência química e até suicídio. É fundamental que os homens se permitam sentir e expressar suas emoções, buscando autoconhecimento e apoio.
Um Futuro de Liberdade e Autenticidade
A mensagem final foi de esperança e empoderamento. Homens e mulheres podem ser mais do que sempre foram, explorando seus desejos e identidades sem amarras. Somos diferentes, sim, mas menos do que imaginávamos. A busca por igualdade e autenticidade é um ganho para todos.
A reflexão proposta por Maria Homem convida a uma análise profunda das estruturas sociais que limitam o potencial humano. Ao desconstruir estereótipos e abrir espaço para a diversidade, construímos uma sociedade mais justa e acolhedora.



