Pesquisa que faz parte do plano municipal nasceu de uma tese de doutorado da USP Ribeirão
A indústria calçadista de Franca, um dos polos mais conhecidos do Brasil, enfrenta um desafio ambiental significativo: o descarte anual de cerca de 30 mil toneladas de resíduos. Um estudo da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP em Ribeirão Preto propõe uma mudança radical nesse processo de gestão, buscando soluções mais sustentáveis para a rede de transporte e destinação desse material, composto principalmente por restos de couro e tecidos.
Alternativas Sustentáveis para o Descarte
O pesquisador Francisco de Assis Breda, em sua tese de doutorado, detalha uma técnica que visa atender ao plano de resíduos sólidos, redirecionando o material descartado de forma menos agressiva ao meio ambiente. A proposta central é processar esses resíduos e utilizá-los como combustíveis em caldeiras nas indústrias de cimento.
Unificação do Transporte e Destinação
Atualmente, mais de 20 empresas prestam serviços de transporte de resíduos na região. A nova proposta sugere a unificação desse transporte, buscando alternativas ambientalmente superiores, em linha com a política nacional de resíduos sólidos, implementada a partir de 2010. Embora o processo de incineração gere vapor, o estudo aponta que o impacto ambiental pode ser minimizado com práticas controladas e o uso de tecnologias adequadas.
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Benefícios Ambientais e Financeiros
O material processado é transformado em combustível derivado de resíduos, atuando como substituto do combustível fóssil. Em fornos que operam em altas temperaturas, esse resíduo pode ser queimado, alinhando-se ao conceito de resíduo zero, onde o descarte de um setor se torna matéria-prima para outro. O estudo demonstra ganhos ambientais e, em algumas situações, também vantagens financeiras, embora ajustes ao longo do tempo sejam necessários.
Redução de Custos e Eliminação de Aterros
A iniciativa busca reduzir os custos atuais com o transporte dos resíduos até o aterro municipal, com o objetivo final de eliminar essa forma de descarte. O modelo seria gerenciado pelo sindicato das indústrias calçadistas de Franca, que poderia alcançar uma redução de até 70% nos custos. A primeira etapa, a unificação do transporte, já está em andamento, e a previsão é que, em até três anos após a implementação do plano municipal de resíduos sólidos, nenhum material seja mais depositado em aterros.
A proposta representa um avanço significativo na gestão de resíduos da indústria calçadista, buscando um futuro mais sustentável para o setor.



