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Franca: considerada a capital do calçado, cidade iniciou essa trajetória na década de 30

Quebra da bolsa de Nova Iorque, em 1929, desvalorizou o preço das sacas de café e motivou produtores a investirem na indústria
Franca
Quebra da bolsa de Nova Iorque, em 1929, desvalorizou o preço das sacas de café e motivou produtores a investirem na indústria

Quebra da bolsa de Nova Iorque, em 1929, desvalorizou o preço das sacas de café e motivou produtores a investirem na indústria

Franca é reconhecida como a capital nacional do sapato masculino, com uma tradição calçadista que remonta ao início do século XX. A industrialização local teve um impulso decisivo após a quebra da Bolsa de Nova York em 1929, quando a queda dos preços do café levou muitos cafeicultores a investirem na indústria. O conhecimento sobre o manejo do couro, herdado do período colonial, favoreceu o desenvolvimento da indústria coureira e, posteriormente, do calçado, devido à disponibilidade da matéria-prima.

Entre as décadas de 1950 e 1990, as fábricas de Franca passaram por modernizações significativas, alcançando em 1970 o maior volume de produção da história da cidade, com 50 milhões de pares de sapato por ano. O setor enfrentou crises, como a dos anos 1990, quando o fortalecimento da moeda brasileira com o Plano Real prejudicou as exportações, resultando em demissões e fechamento de fábricas. Atualmente, o setor calçadista representa cerca de 14% do PIB de Franca e emprega aproximadamente 14 mil pessoas.

Produção e mercado: Em 2023, até outubro, Franca produziu 30 milhões de pares de sapato. Os produtos são exportados para países da América do Sul, como Argentina, Peru, Bolívia e Chile, além de mercados europeus, incluindo França e Inglaterra. O conforto dos calçados é apontado como principal motivo da preferência internacional.

Trabalho e qualificação: A produção envolve diversas etapas, incluindo o pesponto, que consiste na costura das partes do sapato. Existem cerca de 2.500 bancas de pesponto na cidade, onde o pagamento é feito por par produzido. O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Franca oferece cursos técnicos na área de calçados, atendendo em média 200 alunos por ano, com duração de um ano e abrangendo todas as fases da fabricação.

Crescimento do setor de confecção: Além do calçado, Franca possui um setor de confecção em expansão, com 350 indústrias de confecção e pouco mais de mil do ramo têxtil. Desde 2019, o crescimento do setor foi de quase 20%. A fábrica de roupas esportivas do empresário Adriano Zani emprega 110 pessoas e produz cerca de 15 mil peças por mês, distribuídas em todo o Brasil e em dois países da América do Sul. A estrutura física da cidade, incluindo barracões e bancas de pesponto, facilita a integração entre as indústrias de calçados e confecção.

Informações adicionais

Franca comemora 200 anos de história, destacando-se pela tradição industrial que gerou empregos e contribuiu para o desenvolvimento econômico local. O setor calçadista, apesar das crises, mantém sua relevância e se adapta às novas tecnologias, enquanto o setor têxtil e de confecção cresce e diversifica a economia da cidade.

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