Segundo levantamento o município paulista trata 100% do esgoto produzido; Ribeirão Preto subiu uma posição no ranking
O Brasil enfrenta um desafio crítico no tratamento de esgoto: mais da metade do esgoto coletado ainda é despejado na natureza. Apesar do compromisso assumido na ONU em 2017 de investir em saneamento até 2030, o avanço tem sido lento.
Franca: Um Caso de Sucesso
Em meio a esse cenário preocupante, a cidade de Franca, em São Paulo, destaca-se como exemplo de eficiência. Com 100% de tratamento de esgoto coletado, a cidade ocupou a primeira posição em seis das dez edições da avaliação do Trata Brasil. Segundo o superintendente da Sabesp, Pijil-Sons Santos de Mendonça, esse sucesso é resultado de investimentos contínuos e planejamento de longo prazo, iniciado há mais de 15 anos, que acompanham o crescimento da cidade. A Sabesp ressalta a importância de investimentos permanentes para manter a eficiência do sistema, considerando o crescimento populacional e a deterioração natural dos ativos.
Desafios Nacionais e a Necessidade de Políticas Públicas
O avanço lento no tratamento de esgoto em nível nacional é apontado pelo diretor do Departamento de Águas e Energia do Estado, Carlos D’ Alencastre, como consequência da falta de políticas públicas eficazes, como o Plano Nacional de Saneamento Básico. Ele destaca a existência de recursos financeiros, mas uma incapacidade de sua aplicação efetiva na construção e manutenção de estações de tratamento, coletores e emissários. A consequência é que mais da metade das cidades brasileiras ainda lançam esgoto diretamente nos rios, sem tratamento.
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O Papel dos Gestores Municipais e a Diversidade de Modelos
O presidente do Trata Brasil, Edson Carlos, enfatiza a importância do investimento por parte dos gestores municipais para a melhoria do saneamento básico. Ele destaca que a forma de gestão (pública ou privada) não é o fator determinante para o sucesso, mas sim a priorização do investimento e a eficiência da gestão local. Cidades com diferentes modelos de gestão (Sabesp, municipal e privada) aparecem em posições de destaque no ranking, demonstrando que a eficiência depende da gestão e investimento, e não do modelo de operação.



