São mais de 1,5 mil diagnósticos confirmados da doença; cidade vive uma epidemia da arbovirose
Franca registrou a sétima morte por dengue nesta semana. A vítima mais recente é uma mulher de 39 anos com comorbidades, que não chegou a ser internada e faleceu em casa. Desde o início do surto, a cidade já confirmou quase 1.500 casos da doença.
Números locais, regionais e nacionais
Além do óbito mais recente, as outras seis vítimas francanas tinham 44, 72, 74, 77, 84 e 85 anos. As unidades de saúde do município enfrentam superlotação: atendimentos chegam a ultrapassar quatro horas de espera. A relação entre casos e mortes em Franca chama atenção — atualmente, há uma morte registrada para cada 208 casos notificados. Em Ribeirão Preto, essa proporção é de uma morte a cada 2.300 casos; no conjunto do país, segundo monitoramento do governo federal, são mais de 2,5 milhões de infectados e 923 mortes, uma média de uma morte a cada 2.700 casos.
O que explica a gravidade em Franca
Para infectologistas ouvidos pela reportagem, a circulação do vírus e as características epidemiológicas locais ajudam a explicar o aumento da gravidade. O infectologista Dr. Romero Rosa afirma que, até 2004, Franca praticamente não notificava casos; depois houve alternância entre anos com muitos casos e anos com poucos. A partir de 2022, porém, a cidade passou a registrar um aumento na gravidade clínica e no número de óbitos — em 2022 foram 15 mortes, mais do que o total acumulado nas décadas anteriores. Segundo ele, quando há maior circulação viral mais pessoas adoecem ao mesmo tempo e aumentam os casos graves e as mortes.
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O professor e infectologista Dr. Ruben Pereira explicou que a diferença entre estados e municípios também está ligada ao nível de investigação e à capacidade de vigilância: em São Paulo, por exemplo, há 1.205 casos por 100 mil habitantes — o estado ocupa o sétimo lugar em incidência, mas é o segundo em mortalidade, com pelo menos 158 mortes confirmadas e nove óbitos ainda em investigação. A secretaria municipal de Franca informou que hoje haverá aplicação de fumaça no bairro Vila Santa Maria do Carmo como parte de ações nas áreas com maior incidência.
Médicos e autoridades reforçam que, com a previsão de manutenção de casos nos próximos meses, é essencial que a população e os serviços de saúde mantenham campanhas de prevenção e vigilância do mosquito transmissor.



