Quem elenca as dificuldades dos gestores de pessoas é David Forli Inocente na coluna ‘CBN Carreiras e Lideranças’
Gestores de recursos humanos chegam a 2024 com um novo cenário de desafios, marcado pela dificuldade de reter profissionais e pela crescente resistência de parte da geração Z em assumir cargos de liderança. A avaliação foi feita pelo professor Davi, durante participação no programa Manhã CBN, em Ribeirão, que trouxe dados de pesquisas recentes e recomendações práticas para empresas.
Fuga de talentos e a posição da geração Z
O ano de 2023 trouxe demissões voluntárias em volume significativo, e esse movimento segue repercutindo nas decisões das equipes de RH. Pesquisas como as citadas por Davi — entre elas levantamentos do Fink.Work Lab e da consultoria Vizia — apontam que muitos profissionais estão em movimento constante e buscam novas prioridades no trabalho, especialmente relacionadas à saúde mental e ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Um dado que chamou atenção é que cerca de 21% dos entrevistados em um estudo divulgado pela Exame, sobretudo entre a geração Z, declararam não desejar ocupar cargos de liderança. As motivações mais citadas incluem o receio do estresse e da pressão inerente à função e a sensação de satisfação com as atribuições já desempenhadas.
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Pressões sobre as áreas de RH
As pesquisas também revelam um sentimento de desconexão: uma sondagem da Randstad, que ouviu 27 mil pessoas em 34 países, mostrou que 40% dos jovens da geração Z sentem que seu empregador não os compreende. Para o RH isso significa operar numa encruzilhada — equilibrar o que entende ser necessário para a empresa, as demandas dos colaboradores e as expectativas da alta direção.
Além do aspecto humano, há pressão pela adoção de tecnologias, como o uso de inteligência artificial em etapas iniciais de seleção. Ferramentas de triagem de currículos e automação são vistas como forma de ganhar agilidade e produtividade, mas demandam inserção estratégica para não comprometer a experiência do candidato.
Para onde mirar: formação de lideranças e alinhamento estratégico
Na avaliação de Davi, a resposta passa por redesenhar papéis de liderança alinhados à cultura da empresa e por ressignificar o papel do líder, destacando seu caráter formador: identificar talentos, desenvolver pessoas e contribuir para os resultados organizacionais — não apenas cobrar metas. O diálogo aberto e a construção de expectativas claras são apontados como fundamentais.
Outro ponto enfatizado foi a necessidade de que o RH permaneça ancorado na alta direção. Com prioridades e mercados em mudança constante, o alinhamento entre RH e lideranças superiores é condição para que programas de desenvolvimento e iniciativas tecnológicas avancem com velocidade e coerência.
Especialistas e executivos concordam que lidar com a nova postura da geração Z exige ajustes nas práticas de atração, desenvolvimento e retenção. A recomendação central é combinar estratégias tecnológicas com foco humano — tornar claro o propósito do papel de liderança e sustentar esse percurso com apoio firme da alta gestão.