Com a nova descoberta, rombo nos cofres públicos da cidade passam dos R$ 250 milhões
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) anunciou a possibilidade de uma nova fase da Operação Sevandígia para investigar vereadores e empresários de Ribeirão Preto envolvidos em um esquema de corrupção que causou um rombo superior a R$ 105 milhões nos cofres públicos entre 2012 e 2016.
Rombo milionário e novas investigações
Em sua última manifestação na ação penal do caso Coderp, o Gaeco revelou novos contratos fraudulentos, elevando o valor desviado. O promotor Walter Lopes explicou que os valores desviados extrapolaram as estimativas iniciais, totalizando mais de R$ 105 milhões em decorrência de três contratos mencionados na ação. A investigação aponta para a utilização da Coderp (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Ribeirão Preto) pela prefeitura para contratar ilegalmente serviços de mão de obra terceirizada da empresa Atmosfera, com a contratação de familiares, amigos e cabos eleitorais de vereadores em troca de apoio político.
Líderes do esquema e seus núcleos
O Gaeco identificou cinco líderes do esquema: Marc Antônio dos Santos (secretário-chefe da Coderp), Laí Lúquez Jr. (secretário da Casa Civil), Angelo Invernizzi Lopes (secretário de Educação), Davi Mansurkuri (superintendente da Coderp) e Marcelo Plastino (dono da Atmosfera). No legislativo, os vereadores Walter Gomes, Cicero Gomes e Capela Novas foram apontados como os mais beneficiados. O promotor Walter Lopes destacou que o esquema não era piramidal, mas sim dividido em quatro núcleos (Prefeitura, Coderp, Atmosfera e Câmara de Vereadores), cada um com indivíduos de maior e menor influência.
Leia também
A participação da ex-prefeita e próximos passos
O Gaeco também apontou a participação direta da ex-prefeita Darci Vera no esquema, alegando que ela comandava junto com os secretários municipais e se beneficiou do esquema por meio da compra de apoio político e indicação de pessoas para cargos. A ex-prefeita não responde ainda neste processo da Coderp, mas é acusada em outro processo de receber propina. O promotor Leonardo Romanelli lembrou que os valores desviados ultrapassaram em muito a estimativa inicial do Ministério Público, chegando a R$ 245 milhões. As defesas dos réus terão prazo para apresentar alegações finais, e o MP acredita que a sentença de primeiro grau deve sair até o final do primeiro semestre. Todos os acusados negam envolvimento em corrupção.
A investigação do Gaeco prossegue, com a possibilidade de novas denúncias e prisões, impactando significativamente a administração pública de Ribeirão Preto e a vida dos cidadãos.



