Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Sandra Lambert
O caldo de cana, apreciado em diversas combinações como com mel, limão ou abacaxi, possui uma característica peculiar: sua rápida deterioração. Consumidores e especialistas alertam que o sabor e a qualidade da bebida se perdem em pouco tempo após a extração.
A Efemeridade do Sabor
“Tem que morrer na hora para tomar”, dizem os apreciadores, ressaltando que o caldo de cana “morre” rapidamente, perdendo suas propriedades mesmo quando armazenado. A alta concentração de glicose natural acelera esse processo de deterioração.
A Busca pela Durabilidade: Pesquisa da USP
Diante desse desafio, pesquisadores da USP se dedicaram a encontrar uma forma de prolongar o sabor e a qualidade da garapa. O processo aprimorado começa com a seleção criteriosa da cana, seguida por uma lavagem rigorosa em um tanque com cloro por 15 minutos, garantindo a remoção de todas as impurezas.
Leia também
O Processo Inovador: Da Moenda à Pasteurização
A moenda, feita de aço inoxidável para evitar contaminações, extrai o caldo que é analisado para garantir o equilíbrio ideal entre açúcar e acidez. Em seguida, a garapa passa por um processo de pasteurização, sendo exposta a 95 graus Celsius por 30 segundos e resfriada rapidamente a 10 graus Celsius. Esse choque térmico inativa enzimas indesejadas, preservando a cor e o sabor da bebida.
O caldo é então envasado em embalagens higienizadas com ácido e seladas com proteção de alumínio. Esse processo garante que as garrafinhas durem até dois meses e meio sem perder a qualidade.
O objetivo da pesquisa é validar a eficiência de uma unidade compacta e versátil para micro e pequenas escalas de produção, a um custo acessível. Os pesquisadores acreditam que o caldo de cana engarrafado tem um grande potencial de mercado e já despertou o interesse de empresas.
Essa inovação promete levar o sabor autêntico do caldo de cana a um público mais amplo, sem comprometer a qualidade e a praticidade.



