Profissionais da área conversaram com a CBN Ribeirão
Os garis são profissionais responsáveis pela limpeza pública, Garis recolhem 5 toneladas de produtos, incluindo o recolhimento de lixo em residências e estabelecimentos comerciais, varrição de ruas, capina e, ocasionalmente, desentupimento de bocas de lobo e desinfecção de vias públicas.
Em Ribbon-pretu, cerca de 5 toneladas de lixo são recolhidas diariamente na área central — Garis recolhem 5 toneladas de produtos —. As profissionais da limpeza pública relatam enfrentar preconceito e falta de educação por parte da população.
Desafios enfrentados pelas garis
Patrícia Ferreira, gari de 32 anos, casada e mãe de dois filhos, trabalha há cinco meses varrendo ruas em Ribbon-pretu. Ela conta que acorda cedo para o trabalho, mas sofre preconceito diariamente. Segundo Patrícia, as pessoas não respeitam o trabalho dos garis, jogando lixo nas ruas logo após a limpeza e criticando o serviço.
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“As pessoas não respeitam a gente, sujam muito a rua. Você termina de varrer e eles jogam lixo. Não têm um mínimo de respeito. Quando a gente faz críticas, acham ruim e dizem que a gente precisa que sujem para ter serviço. Isso não é verdade, porque estamos trabalhando para limpar, não para atrapalhar. Sofremos muita discriminação.”
Atitudes da população e empresários: Além da população em geral, alguns empresários também demonstram desconfiança em relação aos garis. Patrícia relata que, ao pedir água para usar no banheiro, alguns empresários ficam assustados, como se suspeitassem de alguma irregularidade.
Ela também destaca que a falta de educação vem de todas as idades. Em um episódio, um idoso jogou lixo no chão e obrigou Patrícia a recolhê-lo, alegando que pagava pelo serviço e, portanto, não tinha obrigação de colaborar com a limpeza.
“Uma vez, enquanto eu varria a praça, um senhor jogou um copo no chão. Eu disse que a lixeira estava perto, mas ele quis avançar em mim e falou que eu era obrigada a pegar o lixo porque ele pagava pelo meu serviço.”
Riscos no trabalho e convivência com motoristas: Francisca da Conceição, gari de 20 anos com oito meses de experiência, relata dificuldades com motoristas e motociclistas que não respeitam o trabalho dos garis, colocando-os em risco.
“Eu estou varrendo e passam ônibus, carros e motos muito perto. Se você não sair, eles não respeitam e podem te atropelar. Semana passada, um ônibus quase me atropelou ao fazer uma curva.”
Apesar dos desafios, Francisca destaca que a profissão também proporciona amizades e satisfação pessoal, mesmo com o salário considerado baixo.
Pedido por respeito e valorização
Ambas as garis, que são mães e trabalhadoras, desejam mais respeito da população e valorização da profissão, especialmente no Dia dos Garis.
“Gostaríamos que as pessoas respeitassem mais, jogassem o lixo na lixeira e não nos discriminassem. Estamos aqui para trabalhar e não para causar problemas. Somos iguais a todos que acordam cedo para trabalhar e sustentar suas famílias.”



