Ouça a coluna ‘CBN Agronegócio’, com José Carlos de Lima Júnior
Após o anúncio da Petrobras sobre o reajuste no preço da gasolina e do diesel, diversas cidades de São Paulo já registraram alterações nos valores dos combustíveis. Em alguns locais, o litro da gasolina ficou até 20 centavos mais caro.
Reajuste imediato e estoques
Apesar do aumento anunciado, alguns postos de combustíveis, como em Ribeirão Preto, ainda não repassaram o reajuste ao consumidor. Isso se deve aos estoques de combustível adquiridos antes do anúncio da Petrobras. José Carlos Lima Jr. observa que o repasse de aumentos costuma ser mais rápido do que o de reduções, indicando um possível oportunismo do mercado.
A matemática por trás do aumento
O especialista explica que aumentos e reduções percentuais não são equivalentes. Uma redução de 10% seguida de um aumento de 10% não resulta no preço original. Usando um exemplo de um produto de R$100, uma redução de 10% resulta em R$90. Um aumento subsequente de 10% sobre R$90 resulta em R$99, e não R$100. Esse fato demonstra que o aumento não é justificável, segundo Lima Jr.
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Impacto no etanol e outros produtos
O reajuste do diesel também impacta o preço do etanol, mesmo sem anúncio de aumento direto. O etanol anidro, utilizado na mistura com a gasolina, teve aumento recente, influenciando o custo final. O especialista argumenta que o aumento do biodiesel não justifica o reajuste da gasolina, pois a proporção de biodiesel no diesel é pequena (7%). Consequentemente, o aumento nos combustíveis pode levar a um aumento de preços em diversos produtos, devido aos custos de transporte.
Em resumo, o reajuste anunciado pela Petrobras gerou um aumento imediato nos preços em algumas cidades, enquanto outras ainda mantêm os valores anteriores devido a estoques. A análise demonstra que o aumento não se justifica matematicamente e levanta a questão do oportunismo do mercado, impactando não apenas os combustíveis, mas também uma gama de produtos que dependem do transporte para sua distribuição.