Gelson Genaro fala sobre medidas que podem ajudar os animais a terem uma boa convivência; ouça o ‘CBN Pet News’
Vídeos de cães e gatos se abraçando fazem sucesso na internet, mas a convivência entre as duas espécies nem sempre é simples. Em entrevista ao programa, o médico-veterinário Dr. Gelson explicou que, apesar de muitos casos de amizade, a realidade doméstica exige cuidado e adaptação para evitar conflitos e lesões.
Por que cão e gato nem sempre se dão bem
Segundo Dr. Gelson, a tensão entre cães e gatos tem base histórica e comportamental: são animais com origens e repertórios de comportamento diferentes. Além disso, a diferença de porte pode tornar um encontro perigoso — um gato de médio porte pode ferir seriamente um cão pequeno, como um Yorkshire. O contrário também ocorre: gatos podem ser perseguidos e agredir cães. Por isso, a socialização precoce é determinante para o sucesso da convivência.
Como introduzir os animais de forma segura
O período ideal de socialização vai da quarta à décima segunda semana de vida, mas muitos tutores só trazem um novo animal para casa depois desse intervalo. Para minimizar o estresse, Dr. Gelson recomenda uma aproximação lenta e supervisionada, preferencialmente com orientação de adestrador ou veterinário. Ele sugere quatro passos práticos:
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- Permitir o reconhecimento olfativo: troque roupas de cama, paninhos ou objetos entre os animais para que se acostumem com o cheiro um do outro.
- Contato visual controlado: coloque-os em ambientes onde possam se ver sem se tocar, evitando encontros diretos nas primeiras ocasiões.
- Interação física supervisionada: quando iniciar o contato, esteja presente — e, se possível, peça ajuda a outra pessoa para intervir rapidamente caso surja agressividade.
- Reforço positivo: premie calmaria e comportamentos tranquilos para ambos, reforçando que a presença do outro é algo positivo.
Riscos, sinais de alerta e quando procurar ajuda
A aproximação pode levar semanas ou meses, e nem sempre é possível. Fique atento a sinais de estresse: pêlos eriçados, pupilas dilatadas, vocalizações incomuns e atitudes tenses. Se observar esses sinais, separe os animais de forma segura e reavalie a estratégia. Castração pode ajudar em casos de agressividade relacionada a hormônios. Dr. Gelson também lembra que o desafio não é exclusivo a cães e gatos — a mesma cautela vale ao apresentar animais entre si, como cães e cavalos, ou dois machos adultos.
Em casos de ferimentos (muito comuns, por exemplo, em olhos atingidos por garras), procure atendimento veterinário imediatamente. E, quando a aproximação for feita por impulso — resgates ou adoções repentinas — a supervisão profissional torna-se ainda mais recomendável.
Muitos donos, entretanto, relatam convívio harmonioso: há relatos de casas com vários cães e uma gata que vivem bem, e exemplos positivos abundam na mídia e nas redes sociais. Ainda assim, a regra é cautela, paciência e ação gradual para que a relação seja segura e duradoura.