Golpe do falso advogado soma prejuízo bilionário a vítimas e preocupa OAB
Uma nova onda de golpes, conhecida como ‘golpe do falso advogado’, tem se espalhado pelo Brasil, lesando milhares de pessoas que possuem processos na justiça. Criminosos se fazem passar por advogados para prometer a liberação de benefícios ou indenizações, solicitando pagamentos adiantados. Nos últimos três anos, o prejuízo acumulado já alcança a marca de R$ 2,8 bilhões.
A Sofisticação do Golpe
O que antes era um simples estelionato, agora se tornou uma ação mais ousada. Quadrilhas utilizam credenciais de advogados para acessar sistemas online da justiça. Segundo Ana Teresa Basílio, presidente da OAB do Rio de Janeiro, a grande maioria dos processos judiciais são eletrônicos, expondo dados como telefones e e-mails das partes envolvidas em processos que não tramitam em segredo de justiça. Com essas informações, os criminosos direcionam seus ataques aos valores que a vítima está prestes a receber.
Ações da OAB e Prevenção
Em resposta ao aumento dos casos, a OAB Franca tem reforçado suas ações, criando a Comissão de Combate ao Falso Advogado, que atua no aconselhamento de denúncias, acolhimento de vítimas, orientação e encaminhamento dos casos à Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Franca. A entidade também lançou uma cartilha informativa com detalhes das principais táticas dos golpistas e um guia prático de proteção.
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O golpe geralmente envolve ligações ou mensagens de WhatsApp com senso de urgência, solicitação de pagamentos via Pix e a promessa de liberação de valores de processos trabalhistas, aposentadorias ou heranças.
Orientações e Cuidados Essenciais
Para se prevenir, é crucial que o cidadão continue confiando nos advogados, na justiça e na polícia civil. É fundamental que cada advogado oriente seu cliente sobre o número de telefone que utilizará para contato, como solicitará qualquer quantia e quais valores serão cobrados. É essencial que haja combinados claros para que o cliente desconfie caso algo não corresponda ao que foi acordado.
Existem taxas pagas diretamente ao cartório ou à justiça, que não passam pelas mãos do advogado. Na negociação e condução do processo, deve ficar claro entre o advogado e o cliente a finalidade de cada pagamento. Existem guias e taxas iniciais da ação, diligências de oficial de justiça, entre outras despesas processuais. É importante verificar o beneficiário de qualquer boleto enviado, certificando-se de que é o tribunal.
A OAB mantém contato direto com a Polícia Civil para entender como os crimes estão acontecendo e rastrear os números de WhatsApp envolvidos. Ao procurar a OAB, o advogado é orientado a fazer um boletim de ocorrência. A OAB também recebe informações diretamente das vítimas ou de outros advogados, oferecendo orientação e encaminhamento.
A cartilha lançada pela OAB orienta sobre a prevenção, informando sobre os golpes e os cuidados necessários. Ela também oferece informações sobre o que fazer caso a pessoa caia no golpe. A cartilha está disponível no Instagram e no site da OAB.
É importante desconfiar da urgência e das promessas de ganhos fáceis. O advogado tem prazos para realizar os pagamentos e os atos processuais, portanto, não há motivo para pressa. É crucial verificar a identidade do advogado e desconfiar de contatos feitos por números não registrados ou fotos diferentes no WhatsApp.
Em relação aos pagamentos via Pix, é importante estar ciente do Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Banco Central, que permite informar sobre possíveis golpes e bloquear o dinheiro, embora nem sempre seja eficaz.
Com a atenção redobrada e a colaboração entre a OAB, a polícia e a sociedade, é possível mitigar os riscos e proteger os cidadãos contra essas práticas criminosas.



