Quem fala do novo ‘modus operandi’ dos criminosos e traz dicas sobre como se precaver é Eduardo Soares na coluna ‘Mundo Digital’
Golpistas passaram a usar deepfakes em chamadas de vídeo para se passar por parentes e pedir dinheiro de forma urgente. Especialistas em mídias digitais alertam que a combinação de imagens reais disponíveis nas redes sociais e ferramentas de inteligência artificial tornou a técnica acessível e eficaz contra vítimas distraídas.
O caso em Brasília
Em Brasília, uma advogada quase caiu em um golpe desse tipo. Poucos minutos após a filha sair de casa, a mãe recebeu uma chamada de vídeo via WhatsApp em que o rosto exibido era idêntico ao da filha. A suposta filha pedia R$ 600 para pagar uma conta, solicitando que o depósito fosse feito na conta de uma amiga. A mãe notou discrepâncias — a roupa não coincidia com a que a filha usara ao sair e havia um pequeno atraso entre áudio e movimento labial — e fez perguntas que só a filha saberia responder, como os nomes dos cachorros e do vizinho.
O interlocutor titubeou e desligou. Em seguida a mãe ligou para a filha real, que informou não ter feito a chamada. A ação rápida evitou prejuízo financeiro.
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Como a fraude é produzida
Segundo especialistas, golpistas coletam vídeos e áudios de perfis em redes sociais para treinar algoritmos que geram deepfakes faciais e vocais. Ferramentas e aplicativos, disponíveis publicamente, permitem criar representações convincentes de pessoas reais em pouco tempo. Além das chamadas simuladas pedindo dinheiro, a técnica pode ser usada em golpes mais graves — como falsos sequestros ou acidentes — porque explora a reação emocional imediata da vítima.
Medidas práticas para se proteger
Profissionais de segurança digital recomendam procedimentos simples e eficazes: não ceder a pedidos urgentes por mensagem ou vídeo, desligar e retornar a chamada por um número conhecido, e fazer perguntas pessoais que só o contato verdadeiro saberia responder. Verificar cuidadosamente contas bancárias antes de transferir valores e desconfiar de links e aplicativos enviados por terceiros são passos essenciais. Na hora de baixar apps — por exemplo, os que dizem ser da Receita Federal — confirme o desenvolvedor e a procedência na loja oficial antes de instalar.
A difusão dessas técnicas exige mais atenção dos usuários: pequenos sinais (atrasos no áudio, roupas diferentes, qualidade de imagem estranha) e medidas de verificação simples podem impedir que uma tentativa de golpe se transforme em prejuízo.