Medida foi tomada após a atualização das regras de propaganda eleitoral pelo TSE; Eduardo Soares explica essa proibição
O Google anunciou a proibição do impulsionamento de conteúdo político nas eleições municipais em todo o Brasil. A decisão foi tomada após a atualização das regras de propaganda eleitoral determinadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por meio da resolução 23.732, que ampliou exigências de transparência e controle sobre anúncios políticos.
O que muda com a proibição
Até então, plataformas como o Google ofereciam serviços de publicidade (Google Ads) que permitiam a candidatos e partidos segmentar anúncios por cidade, faixa etária e interesses, fazendo com que conteúdos patrocinados aparecessem no topo das buscas, no YouTube, no Gmail e no Maps. A partir de maio, esse tipo de impulsionamento com caráter eleitoral estará vedado: não será mais possível pagar para promover conteúdo político na ferramenta.
Por que o Google decidiu proibir
Segundo especialistas consultados, a medida é resposta direta às novas exigências do TSE, que passaram a exigir repositórios públicos e ferramentas capazes de informar, de forma rápida e transparente, quem está investindo em propaganda eleitoral e quanto está sendo gasto. O Google avaliou que seria complexo implementar e gerir esse nível de controle em milhares de municípios e optou por bloquear o impulsionamento a fim de evitar descumprimentos e eventuais sanções.
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Impactos e próximos passos
A mudança terá efeitos financeiros e estratégicos: em 2022, candidatos gastaram cerca de R$ 127 milhões em publicidade no Google, com exemplos expressivos de investimento na disputa presidencial. Além do impacto nas receitas das plataformas, a decisão pode servir de referência para outras redes que também oferecem patrocínio, como Facebook e Instagram, que precisarão decidir entre aplicar controles exigidos pela Justiça Eleitoral ou restringir anúncios políticos.
Além do debate regulatório, a discussão sobre desinformação segue ativa. Um evento gratuito sobre fake news será realizado no sábado, 27 de abril, às 18h, na Biblioteca Sinhajunqueira, em Ribeirão Preto. Promovido por estudantes de jornalismo da Barão de Malá e mediado pelo professor Guilherme Nali, o encontro abordará estratégias de combate à circulação de notícias falsas e marca o lançamento de um jornal impresso produzido pelos alunos.
Especialistas alertam que a proibição do impulsionamento não encerra o debate sobre propaganda política na internet: resta monitorar como as campanhas vão se adaptar às novas regras e como outras plataformas decidirão sua política diante das exigências do TSE.