Doença pode levar ao desenvolvimento de cirrose e câncer de fígado, quem explica é a gastroenterologista Luciana Schraiber
A esteatose hepática, conhecida como gordura no fígado, atinge cerca de 35% da população e preocupa especialistas por seu potencial de evolução para doenças graves. Em entrevista à CBN, a hepatologista Luciana Schreiber explicou causas, riscos e as medidas mais eficazes para tratar a condição.
O que é esteatose hepática e por que ela aparece
Segundo a médica, o aumento da obesidade é o principal fator por trás do acúmulo de gordura no fígado. Sobrepeso, diabetes, colesterol e triglicerídeos elevados são comorbidades frequentemente associadas. Embora exista um pequeno grupo de pessoas magras com a doença por fatores genéticos, a maioria dos casos está ligada ao excesso de peso e aos hábitos alimentares.
Riscos à saúde e efeitos em cadeia
Luciana Schreiber alerta que a esteatose pode progredir para cirrose e câncer de fígado se não for tratada. Além disso, há uma relação bidirecional entre gordura no fígado e resistência à insulina: a presença de gordura pode favorecer o desenvolvimento de diabetes, e o diabético tem maior propensão a acumular gordura hepática. “É um ciclo vicioso”, diz a especialista, que destaca a possibilidade, em casos avançados, de insuficiência hepática e até necessidade de transplante.
Leia também
Tratamento: dieta, exercício e mitos desfeitos
O tratamento começa pela mudança no estilo de vida. Os pilares são redução de peso e atividade física: perder cerca de 10% do peso corporal ao longo de meses costuma melhorar substancialmente o quadro. A médica recomenda reduzir o consumo de carboidratos refinados, doces, farinhas e frituras, além de combinar exercícios aeróbicos com musculação.
Schreiber desmente soluções rápidas: não existem chás, fitoterápicos ou fórmulas milagrosas capazes de eliminar a gordura no fígado. Ela enfatiza que perda de peso consistente é a única estratégia comprovada. Sobre o consumo de álcool, a especialista lembra que bebidas alcoólicas são muito calóricas e contribuem tanto para o acúmulo de gordura quanto para o risco de câncer de fígado.
Quanto à segurança de infusões simples para consumo cotidiano, a médica afirma que chás de flores e frutas preparados em casa são aceitáveis se a pessoa gostar, mas não devem ser vistos como tratamento.
Por fim, a orientação prática é buscar reeducação alimentar e perda de peso gradual, mantendo os novos hábitos a longo prazo para evitar recaídas e consolidar a melhora hepática.
O prognóstico pode ser favorável: com acompanhamento e mudanças no estilo de vida, a esteatose hepática é frequentemente reversível e o fígado pode recuperar sua função.