O ‘SP Mulher’ foi lançado na última sexta-feira (8) e tem funções como monitoramento de agressores por georreferenciamento
O governo do Estado lançou nesta sexta-feira o aplicativo SP Mulher, uma plataforma para proteção de mulheres contra a violência doméstica disponível para iOS e Android, e anunciou a abertura de 62 novas salas de atendimento em delegacias com plantão policial. A iniciativa integra serviços e promete agilizar o acionamento da polícia e o registro de ocorrências.
Funcionalidades e cadastro
Para utilizar o SP Mulher é necessário realizar cadastro com login.gov.br; o aplicativo importa automaticamente os dados do usuário e identifica se já há medida protetiva em vigor. Entre as ferramentas oferecidas estão um botão de pânico para acionamento imediato de socorro, a possibilidade de registrar boletim de ocorrência pelo próprio celular e a dispensa de diversos formulários e números de processo, o que deve reduzir o tempo de resposta em situações de risco.
Uma novidade relevante é o monitoramento por georreferenciamento de agressores que utilizam tornozeleira eletrônica: caso o suspeito se aproxime da vítima, o Centro de Operações da Polícia Militar (COPOM) é acionado e uma viatura é enviada ao local.
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Atendimento ampliado nas delegacias
Além do aplicativo, as 62 novas salas para atendimento às vítimas amplificam a rede de proteção estadual: com os espaços instalados em delegacias que mantêm plantão, o Estado passa a contar com 141 unidades de suporte especializado em todo o território paulista. As salas oferecem atendimento online por videoconferência 24 horas, permitindo que a vítima registre a ocorrência e receba orientações sem precisar deslocar-se até a delegacia.
Operação policial e orientações
Em ações voltadas ao combate à violência contra a mulher, a região registrou, no dia 8 de março, 38 prisões em flagrante e 21 mandados de busca e apreensão durante a operação “Polícia Civil por Todas”. Foram efetivadas 446 medidas protetivas e apreendidas armas de fogo. Em âmbito nacional, a operação chegou a atender quase 3 mil mulheres em uma semana.
A delegada Patrícia de Mariani, responsável pela operação, observa que o aumento nos registros pode refletir maior procura por denúncia, impulsionada pela divulgação na imprensa e pelas facilidades do boletim eletrônico. Ela ressalta ainda que a violência doméstica assume múltiplas formas previstas na Lei Maria da Penha — física, psicológica, moral, sexual, patrimonial e por ameaça — e que todas devem ser denunciadas. A delegada lembrou, por exemplo, que relações sexuais forçadas configuram violência sexual independentemente do vínculo entre as partes.
Autoridades afirmam que as novas ferramentas tecnológicas e a expansão do atendimento especializado buscam reduzir barreiras ao registro de ocorrências e aumentar a proteção às vítimas, integrando tecnologia e atuação policial para respostas mais rápidas.



