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Governo Federal libera transplante de medula para a cura da anemia falciforme

Antes, operação só era autorizada em caso de pesquisa; HC de Ribeirão Preto foi o primeiro do Brasil a curar a síndrome
transplante de medula
Antes, operação só era autorizada em caso de pesquisa; HC de Ribeirão Preto foi o primeiro do Brasil a curar a síndrome

Antes, operação só era autorizada em caso de pesquisa; HC de Ribeirão Preto foi o primeiro do Brasil a curar a síndrome

O Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto alcançou um marco histórico ao se tornar o primeiro no Brasil a realizar a cura da anemia falciforme através do transplante de medula óssea. Apesar do pioneirismo, até recentemente, apenas 40 pacientes haviam recebido autorização especial do Ministério da Saúde para o procedimento, devido à falta de regulamentação.

Uma nova portaria publicada nesta semana representa um avanço significativo, liberando o tratamento não apenas para fins de pesquisa, mas para todos os pacientes com indicação médica. Os custos do tratamento serão integralmente cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Resultados Positivos e Esperança Renovada

Os resultados obtidos com os transplantes têm se mostrado extremamente promissores. A hematologista do HC, Belinda Pinto Simões, explica: “Quando você faz o transplante de medula óssea, você, na verdade, substitui esse sangue, que é produzido de forma errônea devido a um defeito genético, por um sangue normal.”

Na anemia falciforme, os glóbulos vermelhos perdem sua forma arredondada e elástica, assumindo o formato de foice. Essa deformação causa obstruções nos vasos sanguíneos, levando a isquemias, derrames, infartos, dores e inflamações.

Uma Nova Vida Após o Transplante

O aposentado Elvis Silva Magalhães, que conviveu com a doença por mais de 40 anos, experimentou na pele o alívio proporcionado pelo transplante. “Eu comecei a ter uma vida que a gente, e que eu, para falar a verdade, nem sabia o que existia, que é assim de não ter a preocupação de pegar friagem ou de pegar uma infecção e já parar no hospital. Eu não precisava me preocupar mais de, ah, dia tal tem que tomar uma transição de sangue, como é que vai ser? Será que vai achar ver?”, relata Elvis.

Ele acrescenta: “Eu já não tinha mais ver. Eu não internei mais. Eu não tive que fazer um monte de procedimentos que eu fazia, medicações e tudo mais. Então eu acho que essa portaria, ela significa justiça social para as pessoas com doença falsiforme. É magnífico isso.”

Indicações e Riscos do Transplante

Apesar de ser a única forma de cura para a anemia falciforme, o transplante de medula óssea é indicado para apenas 15% dos pacientes. “É um procedimento muito delicado. A pessoa fica internada por mais de um mês, faz quimioterapia e pode ter infecções e até a rejeição”, explica a médica. A decisão sobre a realização do transplante é tomada em conjunto pela equipe médica e a família, considerando os riscos e benefícios.

O transplante é geralmente indicado para casos em que a medicação não apresenta resultados satisfatórios ou quando já existem alterações neurológicas. “A gente sabe que o transplante tem riscos. O fato dele ter risco, eu tenho que obviamente conversar isso com a família”, ressalta Belinda.

Expectativas e Diagnóstico Precoce

A anemia falciforme é diagnosticada através do teste do pezinho, permitindo o acompanhamento e tratamento desde os primeiros meses de vida. O Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto espera realizar cerca de 50 transplantes por ano a partir de atrásra.

Essa nova regulamentação representa um importante passo para garantir o acesso ao tratamento e melhorar a qualidade de vida dos pacientes com anemia falciforme.

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