Ouça a coluna ‘Oficina de Palavras’ com Luiz Puntel
Nesta semana, o professor Luiz Ponte abordou em sua coluna a polêmica relação entre gramática e mulheres. A discussão surgiu a partir de sua convivência com sete mulheres (esposa, filhas e netas) e da constatação de como a gramática impõe o masculino como gênero padrão, mesmo em contextos onde a maioria é feminina.
A Gramática e o Machismo na Linguagem
O ponto de partida da discussão foi uma questão da Unicamp sobre machismo na linguagem, exemplificada pela utilização de termos como “primeira-dama” para a esposa de um chefe de governo, mas não havendo equivalente masculino (“primeiro-cavaleiro”). O texto da prova também citava Cecília Meireles e sua rejeição ao termo “poetisa”, por considerá-lo pejorativo em comparação a “poeta”. A preferência da presidente Dilma Rousseff por “presidentar” também foi mencionada, como forma de enfatizar a presença feminina na presidência.
Substantivos Sobrecomuns e a Predominância do Masculino
O professor Ponte prossegue argumentando que a gramática, historicamente construída por homens, apresenta um viés machista. Ele destaca os substantivos sobrecomuns, que, apesar de poderem se referir a ambos os gêneros, são predominantemente utilizados no masculino. Exemplos citados incluem “gênio”, “ídolo”, “anjo”, e “vítima”. A utilização do masculino como forma genérica, mesmo quando a maioria é feminina, reforça a invisibilização das mulheres na linguagem.
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Conjuge e outras reflexões
Outro ponto levantado foi o uso do termo “cônjuge”, sempre no masculino, mesmo quando se referindo a uma mulher. O erro cometido pelo ministro Sérgio Moro ao usar “cônjuge” no masculino gerou uma grande polêmica nas redes sociais. A discussão sobre a gramática e o gênero evidencia a necessidade de uma reflexão sobre a linguagem e como ela perpetua desigualdades de gênero. A coluna do professor Luiz Ponte nos convida a questionar as normas gramaticais e a buscar uma linguagem mais inclusiva e justa.