Anvisa tornou definitiva a permissão para farmácias entregarem medicamentos restritos em domicílio no início do mês de setembro
A Anvisa autorizou definitivamente a entrega de medicamentos controlados (tarjas pretas) por farmácias e drogarias. Esta medida, inicialmente temporária durante a pandemia, visa facilitar o acesso dos pacientes aos remédios. Mas como isso funcionará na prática e quais os desafios envolvidos?
Controle e Abuso de Medicamentos
A professora Julieta Oeta, da Faculdade de Farmácia da USP de Ribeirão Preto, destaca a necessidade de controle rigoroso, mesmo com o delivery. A receita médica original é obrigatória para a venda e entrega, mas a questão central é como garantir que isso seja efetivamente cumprido e evitar o uso abusivo de medicamentos controlados. A automedicação e o uso inadequado de remédios, como aqueles para TDAH, são problemas sérios que persistem, e o delivery não resolve essa questão. A professora enfatiza a necessidade de conscientização da população sobre os riscos da automedicação e a importância do acompanhamento médico.
Riscos e Cuidados com o Acesso Facilitado
A facilidade do delivery também acende um alerta sobre a armazenagem inadequada de medicamentos em casa. Sobras de remédios controlados representam um risco, e a professora alerta para a importância de descartá-los corretamente ou retornar ao médico para orientação sobre o descarte ou reaproveitamento. A automedicação com medicamentos que sobraram de tratamentos anteriores é extremamente perigosa. A professora também destaca a necessidade de armazenar corretamente os medicamentos em casa, fora do alcance de crianças e em local apropriado, lembrando que medicamentos não são itens de consumo comum.
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Conscientização e Responsabilidade
Em resumo, a liberação do delivery de medicamentos controlados traz praticidade, mas não elimina a necessidade de controle e conscientização. A retenção da receita médica continua obrigatória, e a responsabilidade pelo uso adequado dos medicamentos permanece com o paciente e o profissional de saúde. A solução para o problema do uso abusivo não se encontra apenas na logística de entrega, mas na educação e conscientização da população sobre os riscos da automedicação e a importância do acompanhamento médico adequado. É fundamental entender que o medicamento é apenas parte do tratamento e que outros fatores, como psicoterapia e apoio familiar, são cruciais para a saúde.



