Promotor Marcus Túlio Nicolino falou à CBN Ribeirão
A gravação da conversa entre a mãe e o padrasto do menino Joaquim, em Ponte Marques, é considerada ilegal e, portanto, não poderá ser utilizada no inquérito, mesmo contendo informações relevantes para a investigação. Essa é a opinião do promotor Marcos Tulio Nicolino, que reconhece a boa fé dos policiais ao notarem contradições nos depoimentos de Natália Ponte e Guilherme Longo.
O Impedimento Legal da Gravação
Apesar da potencial relevância do áudio, captado na residência da família às 8h30 do dia 5 de novembro, ele não possui valor probatório no processo. Os policiais militares que atenderam a ocorrência inicialmente suspeitaram da versão apresentada por Guilherme, que alegava um possível sequestro de Joaquim. Diante disso, decidiram gravar a conversa entre Guilherme e Natália, escondendo um gravador sob um cobertor no quarto do menino, sem o conhecimento do casal. A gravação já foi entregue ao delegado responsável pelo caso, que solicitará a transcrição, visto que alguns trechos apresentam baixa clareza.
Trechos da Conversa e Implicações
No início do diálogo, Guilherme expressa a Natália sua incredulidade quanto ao desaparecimento do menino e sua percepção de que todos o estão culpando. Em outro momento, ele questiona a possibilidade de Joaquim tê-lo seguido sem que ele percebesse, mencionando que trancou toda a casa. Posteriormente, Guilherme sugere que saiam à procura de Joaquim, afirmando que o menino irá aparecer e que precisam manter a calma para encontrá-lo.
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Andamento da Investigação
O inquérito sobre a morte de Joaquim já ultrapassa 400 páginas, divididas em três volumes. Ainda aguardam-se os resultados dos exames toxicológicos realizados com amostras dos órgãos e sangue da criança. A Polícia Civil também não recebeu o relatório completo das ligações telefônicas de Natália, Guilherme e outros dois familiares. Além disso, a investigação aguarda o rastreamento dos celulares do casal para determinar sua localização exata na madrugada do desaparecimento. O delegado Paulo Henrique Martins de Castro, chefe das investigações, não descarta a possibilidade de solicitar a prorrogação da prisão temporária do casal, que já se encontra detido há 22 dias.
O caso segue em investigação, com a análise de evidências e depoimentos buscando esclarecer as circunstâncias da morte do menino Joaquim.



