Governo Paulista criou um comitê para tentar barrar o avanço da doença; José Carlos de Lima Júnior fala do problema
O Brasil, gigante na produção e exportação de suco de laranja, enfrenta uma grave ameaça: o Greening. Essa doença, que afeta laranjeiras e outras frutas cítricas, já atinge 38% dos laranjais paulistas e mineiros, com um crescimento alarmante de 56% entre 2022 e 2023, segundo dados da Fundecitrus.
A doença e seus impactos devastadores
O Greening impacta diretamente a produtividade, causando uma queda de pelo menos 19% na produção de laranjas por planta infectada. Além da redução na quantidade, a qualidade da fruta também é comprometida. A laranja perde seu teor de brix (doçura) e aumenta sua acidez (limonóides), afetando a comercialização do suco.
O dilema dos citricultores
Atualmente, não existe cura para o Greening. A única medida eficaz é a erradicação das plantas infectadas para evitar a propagação. No entanto, o alto preço internacional do suco de laranja, com um aumento superior a 110% em um ano, leva muitos citricultores a manterem árvores doentes em seus pomares, mesmo com a queda na produtividade. A curto prazo, a venda de laranjas de pés infectados é lucrativa, mas a longo prazo, essa prática pode dizimar a citricultura brasileira, como ocorreu na Flórida.
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Desafios e perspectivas
O aumento no preço do suco de laranja, que ultrapassou 300% desde 2020, impacta toda a cadeia produtiva, desde o produtor até o consumidor. A indústria, por sua vez, rejeita frutas infectadas, buscando garantir a qualidade do produto final. A criação de um comitê estadual em São Paulo demonstra a preocupação do governo em conter o avanço da doença, mas a solução requer um esforço conjunto de produtores, indústria e órgãos governamentais para implementar um manejo eficaz e evitar um colapso na produção de laranjas no Brasil.