Paralisação que já compromete cirurgias eletivas no campus pode ganhar força se não houver acordo em reunião em São Paulo
Funcionários do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto intensificaram a greve, que já dura quase duas semanas no campus, estendendo a paralisação para a unidade de emergência no centro da cidade. A decisão eleva a pressão por negociações em meio a crescentes reclamações sobre salários, condições de trabalho e infraestrutura.
Reivindicações Centrais da Greve
Edson Carlos Fidelino, diretor regional do sindicato, detalhou as principais reivindicações dos profissionais. Entre elas, destacam-se a reposição de perdas salariais de 29,36%, um reajuste salarial de 12%, e um aumento no vale-alimentação, atualmente fixado em R$8 por dia, valor considerado insuficiente diante do custo de vida na região do hospital. A regulamentação das jornadas administrativas para 30 horas semanais também figura entre os pedidos. Adicionalmente, os funcionários temem a perda de reflexos do prêmio de incentivo em benefícios como 13º salário, férias e FGTS.
Impacto da Paralisação e a Crise na Saúde
Embora o atendimento na unidade de emergência não tenha sido imediatamente comprometido, a adesão à greve pode atingir 70% dos profissionais caso não haja avanços nas negociações. A enfermeira e delegada sindical Marie-louis Silva-Farias ressaltou que a paralisação visa também beneficiar a população, que enfrenta a falta de materiais básicos no hospital. Segundo ela, a unidade de emergência e o Hospital das Clínicas da USP têm sofrido com o sucateamento, resultando na falta de itens essenciais como algodão e gaze, além da suspensão de cirurgias devido à escassez de materiais específicos, como o fio de Kirschner para procedimentos ortopédicos infantis.
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Estacionamento Pago Gera Controvérsia
Além das questões salariais e de infraestrutura, a cobrança no novo estacionamento do hospital, inaugurado recentemente após três anos de obras, gerou indignação. Apesar do valor de R$0,75 a cada 15 minutos ser inferior ao de outros estacionamentos na região, a cobrança foi considerada abusiva, especialmente para pacientes e acompanhantes que passam longos períodos no local. A auxiliar de enfermagem Marli Alves da Cruz, juntamente com outros manifestantes, protestou contra a cobrança e a distância do estacionamento até o hospital.
O futuro da paralisação permanece incerto, dependendo do resultado de uma reunião em São Paulo com o secretário estadual da saúde, David Uip. A expectativa é que o encontro possa definir os próximos passos e determinar se haverá um retorno ao trabalho ou uma intensificação da greve.



