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Grupo da USP investiga células tronco como ferramenta em terapias para regeneração de ossos

Adalberto Luiz Rosa, professor envolvido com a pesquisa, fala sobre a importância das descobertas realizadas pelo projeto
Grupo da USP investiga células tronco
Adalberto Luiz Rosa, professor envolvido com a pesquisa, fala sobre a importância das descobertas realizadas pelo projeto

Adalberto Luiz Rosa, professor envolvido com a pesquisa, fala sobre a importância das descobertas realizadas pelo projeto

A regeneração óssea, Grupo da USP investiga células tronco como ferramenta em terapias para regeneração de ossos, em geral, requer cuidados básicos, mas em casos mais complexos demanda intervenções específicas. Na Faculdade de Odontologia da USP em Ribeirão Preto, o Bone Research Lab desenvolve pesquisas com células-tronco para aprimorar terapias que auxiliem na regeneração óssea, especialmente em situações em que o osso não se regenera naturalmente.

O professor Alberto Luiz Rosa, diretamente envolvido nessa pesquisa, explicou que o uso de células-tronco em processos regenerativos começou a ser estudado na década de 1970. Há cerca de 17 anos, o grupo da USP iniciou investigações focadas na regeneração de tecidos ósseos em casos de defeitos que não cicatrizam espontaneamente, buscando alternativas para tratamentos tradicionais.

Importância da pesquisa com células-tronco

Segundo o professor, as células-tronco apresentam um potencial promissor para regeneração óssea, embora ainda não tenham sido capazes de promover a recuperação completa dos defeitos ósseos. O objetivo final é alcançar a regeneração total, o que ainda está em desenvolvimento, mas os resultados até o momento são animadores.

Tratamentos atuais e limitações: Atualmente, o método padrão para regeneração óssea é o enxerto ósseo, preferencialmente autólogo, ou seja, retirado do próprio paciente. Esse procedimento apresenta bons resultados, sendo considerado o padrão-ouro devido às suas vantagens. No entanto, o professor Alberto Luiz Rosa destacou que essa técnica tem limitações, principalmente relacionadas à quantidade de osso disponível para enxerto. Em casos de grandes defeitos ou fraturas extensas, não é possível retirar ossos em quantidade suficiente sem causar danos ao paciente.

Além disso, o processo envolve dois procedimentos cirúrgicos: a retirada do osso e a sua aplicação no local a ser regenerado, o que aumenta os riscos e o desconforto para o paciente. Essas limitações motivam a busca por tratamentos alternativos que possam oferecer resultados equivalentes ou superiores ao enxerto tradicional.

Contexto da pesquisa na odontologia e implicações médicas: O Bone Research Lab está inserido na Faculdade de Odontologia da USP, pois a área de atuação do professor Rosa é cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial, campos que frequentemente enfrentam desafios relacionados à regeneração óssea. Embora a pesquisa esteja vinculada à odontologia, suas descobertas podem beneficiar também a medicina, ampliando as possibilidades terapêuticas para outras especialidades.

Fases da pesquisa e perspectivas futuras

A pesquisa está em andamento e ainda não foi encontrada uma alternativa completa ao enxerto ósseo. O estudo é dividido em duas fases principais: uma etapa in vitro, onde as células são cultivadas e multiplicadas em laboratório, e uma etapa pré-clínica, que envolve testes em animais, como ratos e camundongos. Após a obtenção de resultados satisfatórios nessas fases, o próximo passo será a realização de estudos clínicos em humanos, inicialmente com um número limitado de pacientes para avaliar a eficácia e segurança do tratamento.

O professor ressaltou que é difícil prever um prazo exato para a conclusão da pesquisa e a adoção clínica da terapia com células-tronco, pois os resultados podem trazer surpresas positivas ou negativas. No entanto, ele estima que ainda serão necessários alguns anos de investigação antes que o método possa ser amplamente utilizado.

Fontes de células-tronco e mitos: Em relação à origem das células-tronco, o professor explicou que elas estão presentes em diversas partes do corpo, não se restringindo ao cordão umbilical, que é a fonte mais conhecida popularmente. O tecido adiposo, por exemplo, obtido em procedimentos como a lipoaspiração, é uma fonte abundante e tem sido utilizado com bons resultados no laboratório. A medula óssea, conhecida como tutano, também é uma fonte tradicional de células-tronco.

O professor destacou que o conhecimento sobre as células-tronco tem evoluído ao longo do tempo, ampliando as possibilidades terapêuticas. Ele alertou para o mito de que as células-tronco seriam uma solução mágica para todos os problemas médicos, ressaltando que, embora sejam uma opção promissora, possuem limitações e devem ser consideradas como parte de um conjunto de alternativas terapêuticas.

Informações adicionais

O Bone Research Lab da USP em Ribeirão Preto realiza estudos laboratoriais e pré-clínicos com células-tronco para regeneração óssea, utilizando fontes como tecido adiposo e medula óssea. O objetivo é desenvolver tratamentos eficazes para casos em que o enxerto ósseo tradicional não é suficiente. A pesquisa ainda está em fase experimental e deverá passar por testes clínicos antes de ser adotada na prática médica e odontológica.

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