Heloísa de Oliveira Salgado, da USP, conversou com a CBN Ribeirão
Um grupo de mulheres em Ribeirão Preto luta pela instalação de uma casa de parto na cidade vinculada à rede do Ministério da Saúde. A psicóloga Eloisa de Oliveira Salgado, Grupo de mulheres tenta conseguir Casa, mestre e doutoranda pela Faculdade de Saúde Pública da USP, explica o conceito de parto humanizado e a importância dessa prática.
Definição de parto humanizado: Eloisa define o parto humanizado como um processo que respeita os direitos da mulher e do bebê, centrado nas necessidades deles e não nas da equipe ou da instituição. Segundo ela, a assistência deve seguir as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), incluindo acompanhamento próximo durante a gestação, uso mínimo de intervenções, direito ao acompanhante durante todo o período de internação, alojamento conjunto com o bebê, liberdade de movimentação e alimentação, além de consentimento informado sobre os procedimentos realizados.
Uso excessivo de tecnologia e cesarianas
A especialista destaca que a tecnologia tem sido supervalorizada no parto, com intervenções aplicadas a mulheres que não necessitam. A OMS recomenda que apenas 10 a 15% dos partos sejam cesarianas, mas no Brasil a taxa ultrapassa 50%, chegando a mais de 60% em Ribeirão Preto e cerca de 98% em uma maternidade particular da cidade. Ela explica que muitos profissionais preferem a cesariana por questões de organização da agenda e remuneração, além da cultura que valoriza a tecnologia como sinônimo de qualidade.
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Fatores que levam à cesariana: Estudos brasileiros indicam que 70% a 80% das mulheres que tiveram cesariana desejavam parto normal no início da gravidez. Durante o pré-natal ou internação, essas mulheres acabam optando ou sendo submetidas à cesariana, muitas vezes por influência dos profissionais de saúde.
Mobilização e benefícios do parto humanizado: A rede Parto do Príncipe, da qual Eloisa faz parte, busca mobilizar a sociedade em geral, incluindo mulheres, famílias, pais e profissionais, para mostrar a insatisfação com a atual realidade do parto. Ela ressalta que a experiência de parto atual, seja cesariana ou parto normal com muitas intervenções, não é saudável para mãe nem para bebê. O parto humanizado, com acompanhamento adequado e intervenções reduzidas, contribui para a redução da mortalidade materna, conforme estudos e recomendações da OMS, ao evitar complicações associadas a cesarianas desnecessárias.
Entenda melhor
O movimento pelo parto humanizado visa garantir que as mulheres tenham direito a uma assistência respeitosa, segura e centrada em suas necessidades, reduzindo intervenções desnecessárias e promovendo melhores resultados para mães e bebês.



