Pessoas, muitas vezes sem formação na área da saúde, disseminam informações falsas e teorias conspiratórias na internet
O Brasil enfrenta um desafio crescente de desinformação sobre saúde, especialmente em relação à vacinação e ao coronavírus. Um estudo realizado pelo projeto União Provacina da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto analisou o conteúdo compartilhado por grupos antivacinas nas redes sociais, revelando táticas preocupantes de disseminação de fake news.
Análise das Fake News
A pesquisa monitorou a atividade online desses grupos desde o ano passado, observando a mudança gradual do foco da vacinação para a disseminação de informações falsas sobre o coronavírus. Aproveitando-se do aumento da procura por informações durante a pandemia, esses grupos utilizaram estratégias já empregadas em campanhas antivacinas para disseminar desinformação sobre a covid-19. A análise identificou que a maioria dos indivíduos que compartilham essas informações falsas não possui formação na área da saúde, baseando seus argumentos em teorias da conspiração e interpretando notícias com um viés completamente distorcido.
Perfil dos Disseminadores e Métodos Utilizados
O estudo revelou que um pequeno grupo de pessoas (apenas 58 indivíduos de um total de 20 mil) produz uma grande quantidade de conteúdo falso. A metodologia utilizada envolve a criação de fake news, mas também a deturpação de informações verdadeiras. Notícias reais são compartilhadas, mas acompanhadas de interpretações distorcidas e alarmistas, criando uma narrativa que associa eventos como o lançamento de campanhas de vacinação a pandemias. Essa estratégia gera uma desinformação que leva a população a reinterpretar informações verdadeiras de forma equivocada, prejudicando a saúde pública.
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Combate à Desinformação
Para combater essa disseminação de notícias falsas, a pesquisa sugere ações de curto e longo prazo. No curto prazo, é crucial que as autoridades atuem com mais firmeza na identificação e responsabilização dos indivíduos que produzem e disseminam esse tipo de conteúdo. No longo prazo, é fundamental investir em programas de alfabetização midiática para a população, capacitando-a a identificar e verificar fontes de informação, tornando-se menos suscetível à manipulação e desinformação. A conscientização da população é crucial para proteger a saúde pública e combater a disseminação de fake news.



