Sobre o assunto confira a análise da psicóloga Danielle Zeoti na coluna ‘CBN Comportamento’
A guerra na Ucrânia e eventos como as tragédias em Petrópolis têm impactado profundamente a saúde mental da população. Muitas pessoas relatam sentir-se sobrecarregadas com o excesso de informações negativas, buscando se desconectar das notícias. Mas por que essa vulnerabilidade?
O impacto da hiperconectividade
A pandemia acelerou nossa dependência do mundo virtual. Um estudo da Anatel revelou um aumento significativo no tempo de conexão dos brasileiros, chegando a 11 horas e 36 minutos por dia em 2022, equivalente a 174 dias conectados por ano. Essa hiperconectividade prejudica a introspecção, fundamental para o desenvolvimento afetivo e a maturidade emocional. Em vez de usar o tempo de isolamento para autoconhecimento, muitas pessoas migraram suas atividades externas para a internet, sobrecarregando-se ainda mais.
A importância do contato real e da introspecção
O contato real com outras pessoas é essencial para o amadurecimento emocional. A pandemia limitou essas interações, substituídas pelo mundo virtual. A falta de introspecção e a ausência de contato real nos deixam mais vulneráveis às notícias negativas, pois não desenvolvemos mecanismos internos para lidar com frustrações, perdas e conflitos. A capacidade de lidar com emoções difíceis é construída através da experiência e do autoconhecimento.
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Lidando com a sobrecarga de informações
Desconectar-se completamente não é a solução. A chave está em como usamos nosso tempo quando estamos sozinhos. Permitir-se sentir tédio, olhar para dentro de si, retomar contatos reais e atividades presenciais são passos importantes para fortalecer a saúde mental. Confrontar nossas próprias fragilidades e medos nos torna mais resilientes para lidar com as dificuldades da vida, incluindo as notícias negativas que nos bombardeiam diariamente. A jornada para o autoconhecimento é fundamental para enfrentar os desafios do mundo atual.