Fato ocorreu na França com um automóvel elétrico construído pelo belga Camille Jenatzy, que chegou a 105,88 km/h
O Giro da CBN traz duas recordações que marcam a história do automobilismo: a ultrapassagem da barreira dos 100 km/h por um carro, registrada em 29 de abril de 1899, e os 30 anos da morte de Ayrton Senna, em 1º de maio de 1994. Ambos os episódios explicam, cada um a seu modo, como velocidade, tecnologia e paixão moldaram a relação do público com os automóveis.
O elétrico que quebrou uma barreira
Há 125 anos, na França, o belga Camille Jenatzy levou seu automóvel elétrico La Jamais Contente a 105,88 km/h, tornando-se o primeiro motorista a superar a marca dos 100 km/h. A façanha ocorreu em 29 de abril de 1899, em Achères, e surpreendeu por dois motivos: a velocidade atingida e o fato de o recordista ser um veículo elétrico.
No final do século 19, elétricos, a vapor e a gasolina disputavam espaço no mercado nascente. Veículos elétricos eram comuns nas cidades graças à sua operação silenciosa e à simplicidade de uso. A partir daí, provas e desafios de velocidade serviam para demonstrar vantagens tecnológicas e conquistar a confiança do público. La Jamais Contente — apelidado assim por sua forma aerodinâmica que lembrava uma bala — sobrevive e está exposto no Musée de l’Automobile em Compiègne, na França, como testemunho daquela era de experimentação e competições.
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Trinta anos da perda de Ayrton Senna
Em 1º de maio de 1994, durante o Grande Prêmio de San Marino, em Imola, a morte de Ayrton Senna chocou o Brasil e o mundo. Tricampeão mundial (1988, 1990 e 1991), Senna ocupou lugar de destaque no automobilismo por sua habilidade, competitividade e pela identificação com torcedores de diferentes gerações. O acidente na curva Tamburello transformou sua trajetória — até então marcada por vitórias e rivalidades intensas — em um legado imortalizado nas lembranças dos fãs.
Desde então, homenagens se multiplicaram: de cerimônias em circuitos a iniciativas tecnológicas que usam projeções luminosas e até recursos digitais para rememorar voltas históricas. No Japão, por exemplo, tributos em Suzuka já tentaram recriar a sensação da passagem de Senna pela pista, combinando som e iluminação para evocar a presença do piloto.
Memória e tecnologia em diálogo
Os dois episódios — a prova de 1899 e a morte de Senna — cruzam passado e presente. De um lado, a lembrança de que veículos elétricos têm raízes tão antigas quanto os automóveis a combustão; de outro, a permanência de figuras esportivas cuja imagem ultrapassa gerações. Ambos mostram como inovações técnicas e narrativas humanas contribuem para a construção da história do automobilismo.
Recordar essas datas é também perceber como o automobilismo continua a provocar fascínio, seja pela busca de novos limites de velocidade, seja pelas paixões e memórias que pilotos como Ayrton Senna deixaram.