Sobre o dia 31 de março de 1964 e suas implicações, ouça a análise de Adriana Silva na coluna ‘CBN Cidades e Suas Histórias’
A reportagem da CBN integra a série ‘Cidades e suas histórias’ e marca os 60 anos do golpe de 1964, que deu início a um período de ditadura militar no Brasil. A repórter Adriana Silva contextualiza o episódio sombrio da história nacional a partir de relatos e memórias locais.
O marco histórico
Na cronologia citada pela repórter, a articulação golpista começou em 31 de março de 1964 e se estendeu até 9 de abril daquele ano. A partir daí instalou-se o regime militar, em vigor até 1985, período caracterizado por censura, prisões, torturas e execuções. Muitos brasileiros foram perseguidos e afastados de suas funções e comunidades.
Memórias de repressão e resistência
A autora recorda sua vivência pessoal: nascida em 1971, guardou lembranças de repressão ainda na década de 1970, quando cantar ‘O Internacional’ na rua podia atrair advertências. A memória pessoal conduz a reportagem para o livro A coragem da inocência, que resgata a história da freira Madre Maorina Boges da Silveira.
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Escrito por Saulo Gomes e Moacir Castro a partir das narrativas do frey Manuel Boges da Silveira, irmão da religiosa, o livro reuniu pesquisas e testemunhos locais. Saulo Gomes, então presidente da Associação Brasileira de Anistiados Políticos e residente em Ribeirão Preto, trouxe o projeto para a cidade; Moacir Castro assinou a orelha que destaca a injustiça cometida contra pessoas reconhecidas posteriormente como inocentes.
Madre Maorina e o Lar Santana
Madre Maorina era diretora do Lar Santana, um orfanato feminino de Ribeirão Preto, quando foi presa na Operação Bandeirante em 25 de outubro de 1969, aos 43 anos. Ela foi acusada de ceder um porão do prédio para reuniões de estudantes que, segundo a repressão, tinham ligação com a Vanguarda Armada. A religiosa afirmava não conhecer nem apoiar os jovens, e foi removida de Ribeirão Preto.
O porão do Lar Santana chegou a ser usado por estudantes para produzir boletins e miniógrafos; o prédio foi posteriormente fechado. Recentemente, a Secretaria Municipal de Educação iniciou obras de restauração para uso administrativo, com atenção à preservação arquitetônica e histórica do local.
Recontar episódios como este enfatiza a necessidade de preservar memórias locais e de documentar histórias de pessoas que sofreram violações de direitos durante a repressão.