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Há exatos 100 anos acontecia, em São Paulo, um marco na arte e cultura do Brasil

Professor Luiz Puntel ressalta a importância da Semana de Arte Moderna de 22 na coluna 'Oficina de Palavras'
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Professor Luiz Puntel ressalta a importância da Semana de Arte Moderna de 22 na coluna 'Oficina de Palavras'

Professor Luiz Puntel ressalta a importância da Semana de Arte Moderna de 22 na coluna ‘Oficina de Palavras’

O centenário da Semana de Arte Moderna de 1922 foi amplamente comemorado em 2022, mas poucos conhecem sua verdadeira origem, que remonta a 1917. Este artigo explora esse período crucial, destacando o papel fundamental de Anita Malfatti e a polêmica gerada por sua exposição.

A Exposição de Anita Malfatti e a Reação de Monteiro Lobato

Em 1917, a pintora Anita Malfatti, após estudos na Alemanha e nos Estados Unidos, realizou uma exposição em São Paulo que chocou a cena cultural da época. Em um cenário artístico ainda incipiente, sem galerias de arte estabelecidas, seus quadros foram expostos em um salão. A reação de Monteiro Lobato foi particularmente contundente. Em um artigo no jornal A Estação de São Paulo, intitulado “A propósito da Exposição Malfatti”, posteriormente publicado no livro Paranoia ou Mistificação, Lobato criticou duramente o trabalho de Anita, classificando-o como “maluco” ou “mistificador”. Essa polêmica gerou um escândalo, resultando na devolução de quadros e na depressão da artista.

As Origens do Modernismo Brasileiro

A exposição de Anita Malfatti, apesar da polêmica, foi um marco. A reação negativa de Lobato, paradoxalmente, impulsionou o debate sobre a arte moderna no Brasil. O impacto da exposição de 1917 é fundamental para compreender a Semana de Arte Moderna de 1922. Artistas como Oswald de Andrade e Mário de Andrade, inspirados e mobilizados pela ousadia de Anita e pela repercussão negativa que ela sofreu, uniram forças para criar um evento que romperia com os padrões artísticos tradicionais. A Semana de 22, portanto, não surgiu do nada, mas foi resultado de um processo que começou cinco anos antes, com a coragem e a inovação de Anita Malfatti.

O Legado de Anita Malfatti

Anita Malfatti pintou nus, mulheres com cabelos verdes e homens amarelos, rompendo com as convenções da época que limitavam as mulheres à pintura de naturezas-mortas. Sua técnica, enquadrada no Expressionismo, chocou os conservadores, mas abriu caminho para um novo olhar sobre a arte brasileira. A Semana de Arte Moderna, embora celebre nomes como Oswald e Mário, deve muito à pioneira Anita Malfatti, cuja ousadia e talento foram fundamentais para a construção do modernismo brasileiro. Seu legado ultrapassa o centenário da Semana de 22, lembrando-nos da importância de desafiar convenções e de valorizar a inovação artística.

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