Objetivo é orientar gestantes e seus familiares para evitar atritos com os profissionais da saúde, como ocorreu em janeiro
Nesta entrevista, o professor Geraldo Duarte, coordenador da divisão de obstetrícia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, discute a crescente violência contra profissionais de saúde em maternidades.
Entendendo a Violência na Assistência à Saúde
O professor Duarte destaca que a violência na assistência médica é uma questão de ação e reação. Um atendimento que não atende às expectativas do paciente pode levar à violência, que se manifesta de forma gradativa: psicológica (pressão, ameaça), verbal (insultos) e física (agressão). Ele enfatiza que a violência é uma demonstração de incapacidade de lidar com a frustração e que nenhuma situação justifica agressões, mas o ambiente de estresse contribui para o problema.
Medidas para Combater a Violência
Para reduzir a violência, o hospital está implementando um novo protocolo com foco na educação e na comunicação. Serão produzidos vídeos e cartilhas sobre o processo de parto, cesariana e a importância do pré-natal do parceiro, incluindo o esposo nas consultas para melhor compreensão do processo. Além disso, as equipes médicas estão sendo treinadas para identificar e lidar com pacientes com maior risco de violência. A melhoria do atendimento na portaria também é crucial para evitar que a insatisfação se acumule e se manifeste como agressão aos profissionais de saúde.
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Prevenção e Melhoria do Atendimento
O professor Duarte ressalta a importância da conscientização da população sobre as limitações estruturais e de pessoal dos hospitais. A compreensão da diferença entre complicações médicas e erros médicos também é fundamental. Erros devem ser publicizados para melhoria do sistema, enquanto complicações são inerentes à complexidade da saúde. A divisão de trabalho entre o Hospital das Clínicas (casos de alto risco) e a Mater (casos de baixo risco) também é explicada, buscando otimizar o atendimento e reduzir a sobrecarga em áreas específicas. O objetivo final é aproximar as equipes de saúde e os pacientes, criando um ambiente mais seguro e respeitoso para todos.



